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quinta-feira, dezembro 09, 2010

O livro didático e o preconceito

O livro didático não é um instrumento moderno, alguns estudos mostram que em meados do século XVII já havia uma preocupação em se adotar livros apropriados para transmissão de conhecimentos. O fato é que, no Brasil, a história do livro didático está ligada a uma série de decretos.
O livro didático deveria, conforme Rangel (2001, p.13), “contribuir efetivamente para a consecução dos objetivos do ensino de língua materna, tais como vêm definidos em documentos oficiais, como os PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais, assim é necessário que ele abstenha–se de preconceitos discriminatórios e, mais do que isso, seja capaz de combater a discriminação sempre que oportuno”, isto é, estimular a cidadania, produzir efeitos contra qualquer forma de preconceitos e discriminações no contexto escolar ou fora dele.
No entanto, de acordo com Silva (1995, p. 47), “O livro didático, de modo geral, omite o processo histórico–cultural, o cotidiano e as experiências dos segmentos subalternos da sociedade, como o índio, o negro, a mulher, entre outros. Em relação ao segmento negro, sua quase total ausência nos livros e a sua rara presença de forma estereotipada concorrem em grande parte para a fragmentação da sua identidade e auto estima”, isto significa que é possível constatar formas de discriminação ao negro, além da presença de estereótipos, que correspondem a uma espécie de rótulo utilizado para qualificar de maneira conveniente grupos étnicos, raciais ou, até mesmo, sexos diferentes, estimulando preconceitos, produzindo assim influências negativas, baixa auto-estima às pessoas pertencentes ao grupo do qual foram associadas tais “características distorcidas”. 
É revoltante e absurdo que o livro didático seja transmissor de imagens que incutem valores negativos de determinados grupos étnicos, segundo as palavras de Freitag (1997 p.85): “a ausência de temas do aluno carente, do conflito de classes, da discriminação racial, quanto à presença de estereótipos” demonstra que é necessária a inclusão de temas referentes ao preconceito e às diversas formas de injustiça social. Assim, pode–se perceber que a estrutura do livro didático precisa ser modificada, para melhor atender a prática educacional e combater qualquer tipo de discriminação.

Revista Espaço Acadêmico nº 47

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