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terça-feira, dezembro 21, 2010

África o berço da Humanidade

A mais marcante das singularidades africanas é o fato de seus povos autóctones terem sido os progenitores de todas as populações humanas do planeta, o que faz do continente africano o berço único da espécie humana.
Os dados científicos que corroboram tanto as análises do DNA mitocondrial quanto os achados paleoantropológicos apontam constantemente nesse sentido.
O continente africano, palco exclusivo dos processos interligados de hominização e de sapienização, é o único lugar do mundo onde se encontram, em perfeita seqüência geológica, e acompanhados pelas indústrias líticas ou metalúrgicas correspondentes, todos os indícios da evolução da nossa espécie a partir dos primeiros ancestrais hominídeos. A humanidade, antiga e moderna, desenvolveu-se primeiro na África e logo, progressivamente e por levas sucessivas, foi povoando o planeta inteiro
Pela tradição, eurocêntrica e hegemônica, costuma alinhar o fato histórico com a aparição, recente, da expressão escrita, criando os infelizes conceitos de povos “com história” e de povos “sem história” que, eventualmente, o etnólogo Lucien LEVY-BRUHL iria transformar em “povos lógicos” e “povos pré-lógicos”. Mas a história propriamente dita é a interação consciente entre a humanidade e a natureza, por uma parte, e dos seres humanos entre si, por outra. Por conseguinte, a aparição da humanidade como espécie diferenciada no reino animal, abre o período histórico. O termo “pré-história”, tão abusivamente utilizado pelos especialistas das disciplinas humanas, é uma dessas criações que doravante deverá ser utilizada com maior circunspeção. (TVeBrasil)
Segundo Elisa Larkin Nascimento: A espécie humana nos livros didáticos é geralmente representada com a imagem do homem branco, e as teorias pseudocientíficas de hierarquia entre as “raças” destituíram o africano de sua condição humana tratando-os como “selvagens” ou “primitivos”, classificados como seres subumanos ou irremediavelmente inferiores.
Contudo hoje sabemos que a África é o berço da humanidade e do desenvolvimento civilizatório. Aquela idéia da velha divisão da humanidade em diferentes “raças” carece de fundamento biológico. É uma construção histórica, cultural e social.
Hoje sabemos que há quase dois milhões de anos, o Homo erectus, hominídeo autor de importantes avanços na manufatura de implementos como o machado, saiu da África em ondas migratórias rumo à Ásia e à Europa, assim iniciando o povoamento do mundo.

Portal Orixás

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Que literatura é esta? Africana?

      De origem, de influência, de temática africana, o certo é que há uma literatura que tem abordado a África e tudo o que pode se atribuir a ela: a diversidade, a multiculturalidade, a etnia, as tradições milenares, as artes, a culinária, os rituais...
       Mas, para falar da África, de uma cultura multi-facetada, não podemos esquecer que falamos de um continente muito antigo, com extensões gigantescas, de tradições culturais variadas, de muitos países, povos, línguas, dialetos, tribos, religiões. A África são muitas Áfricas! A África são muitos povos!
        A produção de obras literárias para crianças e jovens se insere no que podemos chamar de um mercado editorial, em que os editores produzem para atender ou criar demandas. E os professores e pais e outros adultos adquirem as obras, por compra ou empréstimo, até que o livro chegue às mãos dos pequenos. Na verdade, há uma grande “feira” de livros, onde temos que saber escolher o que pode haver de melhor para as nossas crianças e separar as frutas tenras e saborosas daquelas sem gosto.
      Em 2003, foi decretada a Lei Federal n.º 10.639, que mudou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ao estabelecer a obrigatoriedade do ensino e transmissão de cultura africana e afro-brasileira nos estabelecimentos de ensino públicos e privados de todo o País.
       Nitidamente, essa proposta aqueceu a edição de livros infantis literários e informativos, o que pode ser verificado na produção recente nacional.

Apresentação de
Ninfa Parreiras




Literatura Infantil - O Cabelo de Lele


Cabelo De Lele, O

Sinopse:
Lelê não gosta do que vê - de onde vem tantos cachinhos? Ela vive a se perguntar. E essa resposta ela encontra num livro, em que descobre sua história e a beleza da herança africana.

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Tecidos Africanos

A arte de tecer em tear manual é uma das mais antigas do mundo.
Na África existem três tipos principais de tecidos: o Bogolan, o Khorogo e o Kubá.
 Em geral os tecidos são confeccionados para marcar ciclos importantes da vida das pessoas ou das aldeias, para vestuário, tapetes e também já serviram de moeda de troca.
Em algumas etnias os homens tecem e as mulheres tingem os tecidos.
Os tecidos Kubás estão entre os mais importantes de todo o território africano.
Os homens tecem a partir da ráfia retirada das palmeiras em pequenos e rudimentares teares. São as mulheres, no entanto, as responsáveis pela decoração dos tecidos.
Os desenhos demonstram a importância e a influência de cada família.




Em anos recentes, os desenhos terrosos ou preto-e-branco dos tecidos Bogolan tornaram-se conhecidos no mundo todo.
Bogolan, que significa tecido de lama, é uma tradição estabelecida há tempos entre os Bambara, etnia majoritária do Mali.
O tingimento tradicional é feito apenas por mulheres e a técnica passada de mãe para filha. A peça é lavada em água e colocada ao sol para secar para que encolha ao seu tamanho final. Depois, o tecido é embebido de uma solução marrom e uma solução amarela extraída da maceração de folhas de várias árvores e posto para secar ao sol. O tecido está pronto para a aplicação dos corantes naturais extraídos da lama. O barro coletado em lagos e poças é deixado para fermentar por alguns meses em um pote coberto, adquirindo ao final de um ano a cor negra.





Os tecidos Khorogo, originalmente da cidade de Khorogo, no norte da Costa do Marfim, hoje são encontrados em vários lugares da Costa do Marfim. Representam cenas da vida cotidiana das aldeias africanas ou cenas da mitologia Akan. São tecidos de algodão tingido com argila e pigmentos naturais (extraídos de folhas, frutos e cascas de árvore).
 Assim como nos tecidos Bogolan, os homens tecem tiras estreitas em tear pequeno e depois costuram-nas juntas para alcançar a largura desejada. Depois dividem com as mulheres a tarefa de tingi-los. Há basicamente quatro cores reconhecidas pelas tecelãs: preto, cinza, vermelho e branco. Porém outras tonalidades podem ser obtidas através da mistura dessas quatro cores.








Diversidade Colorida - Blog

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Contos e Lendas Afro-Brasileiros


Contos E Lendas Afro-Brasileiros
A Criaçao Do Mundo

Sinopse:
Adetutu, uma jovem mãe africana, é aprisionada por caçadores de escravos e transportada ao Brasil em um navio negreiro. Durante a viagem, ela sonha com a criação do mundo pelos orixás, deuses de seu povo. Em seu sonho ela torce para Oxalá realizar sua missão com sucesso, ganha a cumplicidade de Exu, vibra com a atuação de Xangô, emociona-se com Iemanjá. Numa sacolinha de segredos que leva pendurada no pescoço, Adetutu guarda pequenas lembranças com que os orixás a presenteiam. Segredos que serão usados trinta anos depois, já no Brasil. Os contos e lendas mostrados em seus sonhos fazem parte do patrimônio mitológico iorubá que o Brasil herdou da África e que aqui se preservou ao longo de mais de um século, contado de boca em boca, transmitido de geração a geração. E que hoje é parte constitutiva da nossa cultura. No apêndice, Reginaldo Prandi, um especialista no tema, apresenta com grande rigor e fotos originais esse rico universo do candomblé.

Histórias da Preta


Histórias da Preta
Sinopse:
As Histórias da Preta falam de um povo que veio para o Brasil à força. Homens, mulheres e crianças que foram arrancados de suas terras e tiveram de trabalhar como escravos. Perderam toda a liberdade, sofreram muito. No entanto, sobreviveram à escravidão e acabaram fazendo do Brasil sua segunda casa. Como é ser negro neste país? Faz diferença ou tanto faz? Reunindo informação histórica, reflexão intelectual, estímulos ao exercício da cidadania e historinhas propriamente ditas (tiradas da mitologia africana, por exemplo), a autora fala sobre a população negra no Brasil, com a experiência de quem já foi alvo de racismo.

Trajes Africanos

As roupas africanas vão muito além da beleza. Os padrões impressos nos tecidos correspondem a nomes, provérbios ou idéias. Elas estão relacionadas com a beleza, a religiosidade e a identidade do povo negro, com a ancestralidade africana. As roupas não nascem para proteger o corpo, mas como uma forma de beleza, não só para aparecer ao outro, mas para os deuses.
Ao vestir um determinado pano, envia-se uma mensagem silenciosa a todos os que vêem, mas, na maioria das vezes, a alguém especial.
 Os riscados, desenhos e cores expressam relações entre marido e mulher, entre a mulher e as outras mulheres, entre cada um e a comunidade.
As cores vibrantes das indumentárias são obtidas a partir de elementos da natureza, a exemplo de plantas, terra e flores. Cada cor tem um significado.

O verde indica renovação e crescimento, em clara analogia com as matas e florestas. Amarelo é símbolo do status e serenidade, além da fertilidade e vitalidade. Azul é a presença de Deus, a onipotência do céu, ao espírito   puro  que repousa em harmonia.

O preto denota união com os antepassados. É a cor das provas, do sofrimento, do mistério, da consciência espiritual, do tempo e da existência.

Vermelho é a cor da paixão, da determinação política, da vida, da paixão e do sentimento.




quarta-feira, dezembro 15, 2010

Texto - Os ossos do ancestral

Havia um rei  que se orgulhava muito de seus ancestrais, e que era conhecido por sua crueldade com os mais fracos.

Certa vez, caminhava com sua comitiva por um campo, onde - anos antes - havia perdido seu pai  em uma batalha, quando encontrou um homem santo remexendo uma enorme pilha de ossos.

- O que você está fazendo aí? - perguntou o rei.

Honrada seja Vossa Majestade - disse o homem santo.  - Quando soube que o rei vinha por aqui, resolvi recolher os ossos de vosso falecido pai para entregar-vos. Entretanto, por mais que procure, não consigo achá-los: eles são iguais aos ossos dos camponeses, dos pobres, dos mendigos e dos escravos.

Paulo Coelho


Orgulho negro.com

Preconceito Racial

Estamos agora em pleno século XXI e com mapeamento do nosso código genético decifrado. A ciência nos provou que na verdade não há raças na espécie humana, mas apenas pequenas variações genéticas para que o homem possa se adaptar melhor no meio em que vive. Não é mais pertinente o preconceito racial, já que raças não existem. 
O preconceito racial atualmente é questionado, visto que a ciência ao decifrar nosso código genético comprovou que as diferenças no DNA entre brancos e negros são efêmeras e praticamente inexistentes. Partindo desse pressuposto, já seria uma ignorância tentar distinguir raças e o pior caracterizá-las e discriminá-las. Portanto, não existe a raça negra, branca, amarela nem vermelha.
Em um país miscigenado como o nosso, temos que entender melhor a explicação da ciência: todos nós temos a mesma essência física nos diferenciamos apenas em questões tênues e inconcebíveis para que haja qualquer discriminação.
Combater o preconceito racial não é uma questão simplória. É preciso que a nossa História seja contada sem trauma nem rancor. O passado de preconceitos não se pode refletir em um futuro de discriminações, mágoas e dívidas a pagar.
Orgulho negro.com

As casas dos Ndebeles

Pintura Mural
Os Ndebele é uma das menores tribos da África do Sul, o termo Ndebele se refere a um grupo étnico disperso entre o Zimbábue e a província de Transvaal a nordeste de Pretória. Ao contrário de muitas outras tribos da África do Sul, conseguiram preservar as suas tradições ancestrais ao longo dos séculos. São chamados de “povo artista” por fazerem colares e ornamentos coloridíssimos de miçangas.

Apesar de ser uma sociedade patriarcal, a herança artística é passada de mães para filhas, são transmitidos os padrões tradicionais dos Ndebele. No século XIX esta tradição alargou-se dos têxteis às pinturas murais decorativas que são também executadas apenas pelas mulheres Ndebele.

As pinturas das casas deste povo, sejam redondas (parecendo ocas) ou quadradas, sempre com teto de palha, expressam-se através das cores gráficas e dos desenhos geométricos coloridíssimos. Os utensílios e adornos que as mulheres usam, possuem significado religioso e místico.







Portal Educação do Paraná

Com que finalidades estudar Africanidades Brasileiras?

Muitas são as finalidades por que devemos incluir Africanidades Brasileiras no currículo escolar. Por exemplo:

• ensinar e aprender como os descendentes de africanos vêm, nos mais de quinhentos anos de Brasil, construindo suas vidas e suas histórias, no interior do seu grupo étnico e no convívio com outros grupos;

• conhecer e aprender a respeitar as expressões culturais negras que compõem a história e a vida de nosso país, mas, no entanto, são pouco valorizadas;

• compreender e respeitar diferentes modos de ser, viver, conviver e pensar;

• discutir as relações étnicas, no Brasil, e analisar a perversidade da assim designada democracia racial;

• refazer concepções relativas à população negra, forjadas com base em preconceitos.

• buscar conhecer as concepções prévias de seus alunos a respeito do estudado, ouvindo-os falar sobre elas;

As Africanidades Brasileiras, no que diz respeito ao processo ensino-aprendizagem, conduzem a uma pedagogia anti-racista, cujos princípios são:

- respeito, entendido não como mera tolerância, mas como diálogo em que seres humanos diferentes miram-se uns aos outros, sem sentimentos de superioridade
ou de inferioridade;

- reconstrução do discurso pedagógico, no sentido de que a escola venha a participar do processo de resistência dos grupos e classes postos à margem,
bem como contribuir para a afirmação da sua identidade e da sua cidadania;

- estudo da recriação das diferentes raízes da cultura brasileira, que nos encontros e desencontros de umas com as outras se fizeram e hoje não são mais gêge, nagô, bantu, portuguesa, japonesa, italiana, alemã, mas brasileira de origem africana, européia, asiática.

As Africanidades Brasileiras abrangem diferentes aspectos, não precisam, por isso, constituir-se numa única área, pois podem estar presentes em conteúdos e metodologias, nas diferentes áreas de conhecimento constitutivas do currículo escolar.

Revista do Professor - Porto Alegre: Jan/Mar - 2003

Africanidades Brasileiras

A expressão africanidades brasileiras refere-se às raízes da cultura brasileira que têm origem africana.
Dizendo de outra forma, queremos nos reportar ao modo de ser, de viver, de organizar suas lutas, próprio dos negros brasileiros e, de outro lado, às marcas da cultura africana que, independentemente da origem étnica de cada brasileiro, fazem parte do seu dia-a-dia.
Possivelmente, alguns pensem: Realmente, é verdade o que vem de ser dito, pois todos nós comemos feijoada, cantamos e dançamos samba e alguns frequentamos academia de capoeira. E isto, sem dúvidas, é influência africana. De fato o é, mas há que completar o pensamento, vislumbrando os múltiplos significados que impregnam cada uma destas manifestações. Feijoada, samba, capoeira resultaram de criações dos africanos que vieram escravizados para o Brasil e de seus descendentes e representam formas encontradas para sobreviver, para expressar um jeito de construir a vida, de senti-la, de vivê-la. Assim, uma receita de feijoada, de vatapá ou de qualquer outro prato contém mais do que a combinação de ingredientes: é o retrato de busca de soluções para manutenção da vida física, de lembrança dos sabores da terra de origem. A capoeira, hoje um jogo que promove o equilíbrio do corpo e do espírito pelo seu cultivo, nasceu como instrumento de combate, de defesa.
Africanidades brasileiras, pois, ultrapassam o dado ou o evento material, como um prato de sarapatel, uma apresentação de rap. Elas se constituem nos processos que geraram tais dados e eventos, hoje incorporados pela sociedade brasileira.
Elas se constituem também dos valores que motivaram tais processos e deles resultaram. Então, estudar Africanidades Brasileiras significa estudar um jeito de ver a vida, o mundo, o trabalho, de conviver e lutar por sua dignidade, próprio dos descendentes de africanos que, ao participar da construção da nação brasileira, vão deixando nos outros grupos étnicos com que convivem suas influências, e, ao mesmo tempo, recebem e incorporam as daqueles.

Revista do Professor – Porto Alegre  - jan/mar 2003

REVISTA DO PROFESSOR,
Porto

O que é Africanidade?

Africanidades
Este conceito tem sido amplamente discutido e trata basicamente da amplitude e valorização da cultura africana, reconhecendo, valorizando, significando e ressignificando as práticas culturais africanas. Os debates baseiam em diferentes áreas científicas, como: História, Antropologia, Comunicações, etc. Os debates sobre as africanidades estão fundamentados no conceito de etnia em contraposição ao de raça. O objetivo é construir um espaço de liberdade cultural onde a sociedade possa trabalhar a questão sem a idealização do dominador branco.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Personalidades Negras

Portal Palmares – tem uma proposta de contar histórias de vidas, de personagens que nos entusiasmam a lutar pela promoção da igualdade entre negros e brancos.
Gente que, com seu suor e suas lágrimas, trabalhou e ainda trabalha muito pela valorização da nossa história.
A história negra real que muitas vezes não é contada nos livros escolares e, devido à nossa falta de memória, se perde com o vento e com as palavras.

Grandes personalidades negras brasileiras

O Brasil, país com a segunda maior população negra do mundo ( 75 milhões de negros e pardos), em geral, ostenta, nos livros didáticos, as imagens e trajetórias de notáveis homens da elite branca.
Segundo estes livros, a construção da nacionalidade e da identidade nacional passaram fundamentalmente pelas mãos de descendentes de europeus, que, em terras tropicais, construíram uma nova civilização.
A história, no entanto, não é bem assim. O Brasil teve e tem grandes nomes negros que deram contribuição fundamental para o desenvolvimento da nação em diversos campos de estudos e ramos profissionais.
Em geral, eles, devido ao exemplo impar, não são apontados como negros, como homens sem cor. No entanto, são afro-descendentes, que guardam, no mais intimo de suas personalidades, ligações com o mundo de seus antepassados.
Na verdade, são homens e mulheres negros que se destacaram, num esforço familiar ou individual, para se tornarem cidadãos bem-sucedidos ou de especial destaque em suas áreas. Com isso, conquistaram a admiração dos demais brasileiros e tornaram-se exemplos para a sua e para as novas gerações.
Foram ou são políticos, escritores, médicos, engenheiros, advogados, músicos, cientistas, religiosos, jornalistas, atletas, militantes ou artistas negros e mestiços que passaram pelas tradicionais barreiras à ascensão social e conseguiram se firmar na sociedade brasileira.
Existe hoje, no Brasil, uma classe média negra, estimada em 8 milhões de pessoas - que também quer ser representada e ter acesso a informações qualificadas sobre negros importantes da história brasileira.
Pensando numa galeria de tipos humanos afros diferenciados, o jornalista e professor Carlos Nobre, da PUC-Rio, propôs ao editor Ary Roitman, da Editora Garamond, do Rio de Janeiro, a edição de uma coleção com a biografia de 25 grandes trajetórias de afro-descendentes que se notabilizaram na vida pública brasileira.
Os três primeiros livros da Coleção Personalidades Negras: " Machado de Assis", de Dau Bastos, " Pelé", de Angélica Basthi, e " Aleijadinho", de Maria Alzira Brum Lemos.
Os 22 futuros biografados sairão de uma relação de 40 nomes selecionados pela editora e pelo professor Carlos Nobre, autor do projeto.

domingo, dezembro 12, 2010

Arte Africana: A Estética Ndebele

A arte africana é um reflexo fiel das ricas histórias, mitos, crenças e filosofia dos habitantes deste enorme continente. A riqueza desta arte tem fornecido matéria-prima e inspiração para vários movimentos artísticos contemporâneos da América e da Europa. Artistas do século XX admiraram a importância da abstração e do naturalismo na arte africana. A história da arte africana remonta o período pré-histórico. As formas artísticas mais antigas são as pinturas e gravações em pedra de Tassili e Ennedi, na região do Saara (6000 AC ao século I da nossa era). Os povos africanos faziam seus objetos de arte utilizando diversos elementos da natureza. Faziam esculturas de marfim, máscaras entalhadas em madeira e ornamentos em ouro e bronze. Os temas retratados nas obras de arte remetem ao cotidiano, a religião e aos aspectos naturais da região. Desta forma, esculpiam e pintavam mitos, animais da floresta, cenas das tradições, personagens do cotidiano etc.

A arte do povo Ndbele

Os Ndebele é uma das menores tribos da África do Sul, O termo Ndebele se refere a um grupo étnico disperso entre o Zimbábue e a província de Transvaal a nordeste de Pretória . Mas intensa o suficiente para revelar uma das manifestações artísticas de maior destaque de todo o continente, são conhecidos pela beleza e colorido das suas criações artísticas: as suas casas, roupas e acessórios de cores gráficas e formas geométricas, a sua joalharia é caracterizada por um rico e minucioso trabalho com contas.






sexta-feira, dezembro 10, 2010

Origem da palavra África

África! O que vem a significar esta palavrinha de 6 letras que na
classificação da língua portuguesa é uma palavra tônica por possuir um
acento que se pronuncia com mais intensidade.
É de extrema importância ressaltar antes de tudo que, o nome do nosso
continente não foge à regra, pois a maioria dos nomes de países que hoje
constituem o continente negro, embora oriundos de palavras genuinamente
locais, surgiu/surgiram dos primeiros contactos dos colonizadores com as
populações autóctones.
A palavra África deriva de AVRINGA ou AFRI, nome da tribo Berbere que na
antiguidade habitava o Norte do continente.
Os berberes são descendentes dos antigos Númidas que habitavam a região
chamada Numídia, entre o país de Cartago e actual Mauritânia, conquistada
pelos romanos ao rei Jugurta, cuja capital era a cidade de Cirta, hoje
Constantina, na Argélia.
O nome África começou a ser usado pelos romanos a partir da conquista da
cidade de Cartago para designar províncias a Noroeste do Mar Mediterrâneo
africano, onde hoje  situam-se a Tunísia e a Argélia.
No século XVI, com a necessidade dos Europeus de avançarem para o
interior e para o sul do continente negro, o nome África generalizou-se para
todo o continente que passou a  chamar-se de "África".
A palavra África significa também: façanha, proeza, valentia, algo difícil
de se realizar. Este segundo e pseudo significado, embora recheado de um
certo preconceito de um lado, de outro dignifica-nos como africanos, pois
mostra a nítida resistência à penetração estrangeira no interior do nosso
continente e  traduz a realidade verdadeira da época. Foi dado pelos
Europeus expedicionários, principalmente os portugueses, como consequência
das enormes dificuldades que  tiveram em penetrar no interior do continente.
José Carlos Cocamaro

Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO

África e seus belos lugares

A África é o terceiro maior continente da Terra. Ela é banhada pelos oceanos Atlântico e Índico e pelos mares Mediterrâneo e Vermelho. Com tudo isso encontramos uma enorme diversidade de turismo na África: monte Kilimanjaro na Tanzânia com 5.895 metros, lago Assal em Djibuti (depressão que atinge 155 metros abaixo do nível do mar), deserto do Saara que ocupa um quarto do território da África, rios como o Nilo e o Níger além de uma vasta fauna e flora que encantam a todos que visitam este continente.
Abaixo temos alguns locais da África que são cobiçados por turistas do mundo inteiro:


Cape Town: É a cidade mais bonita, romântica e a mais visitada da África dos Sul. Lá você encontra atrativos como a Table Mountain, barzinhos, restaurantes e os melhores shoppings da África.


Sharm el Sheikh: cidade da África que deu ao Mar Vermelho uma reputação internacional como um dos mais extraordinários destino de mergulho do mundo.
Localizada no Egito na extremidade sul da península do Sinai.


Cairo: A importância de Cairo como centro industrial, turístico e cultural torna a capital egípcia uma das principais cidades da África. Gizé, nos arredores de Cairo, abriga as grandes pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos e a esfinge.


 Tunis: É uma das cidades da África com maior beleza arquitetônica. Se tornou patrimônio mundial da humanidade em 1979 pela UNESCO. Entre uma dessas maravilhas esta o templo de Hammouda Pasha



Maurício: A república de Maurício é um pequeno país insular do sul da África, no Oceano índico, cerca de 800 km a leste de Madagáscar. É formado por uma ilha principal, Maurício, e por outras menores: Rodrigues, Agalega e o grupo das Cargaods. É um local perfeito para lua de mel.


Marrocos: O reino do Marrocos é um país do noroeste da África banhado pelo mar Mediterrâneo e pelo oceano Atlântico. Rabat é a capital e o 2º maior núcleo populacional atrás apenas de Casablanca. As duas principais atrações do país são Fès e Marrakech.



 Johannesburg: Foi fundada em 1886, no contexto da exploração colonial do ouro. Hoje, com mais de 750 mil habitantes, é a segunda maior cidade do País e seu principal centro financeiro e comercial. Johannesburg serve de hub para toda aviação da África.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

O livro didático e o preconceito

O livro didático não é um instrumento moderno, alguns estudos mostram que em meados do século XVII já havia uma preocupação em se adotar livros apropriados para transmissão de conhecimentos. O fato é que, no Brasil, a história do livro didático está ligada a uma série de decretos.
O livro didático deveria, conforme Rangel (2001, p.13), “contribuir efetivamente para a consecução dos objetivos do ensino de língua materna, tais como vêm definidos em documentos oficiais, como os PCNs - Parâmetros Curriculares Nacionais, assim é necessário que ele abstenha–se de preconceitos discriminatórios e, mais do que isso, seja capaz de combater a discriminação sempre que oportuno”, isto é, estimular a cidadania, produzir efeitos contra qualquer forma de preconceitos e discriminações no contexto escolar ou fora dele.
No entanto, de acordo com Silva (1995, p. 47), “O livro didático, de modo geral, omite o processo histórico–cultural, o cotidiano e as experiências dos segmentos subalternos da sociedade, como o índio, o negro, a mulher, entre outros. Em relação ao segmento negro, sua quase total ausência nos livros e a sua rara presença de forma estereotipada concorrem em grande parte para a fragmentação da sua identidade e auto estima”, isto significa que é possível constatar formas de discriminação ao negro, além da presença de estereótipos, que correspondem a uma espécie de rótulo utilizado para qualificar de maneira conveniente grupos étnicos, raciais ou, até mesmo, sexos diferentes, estimulando preconceitos, produzindo assim influências negativas, baixa auto-estima às pessoas pertencentes ao grupo do qual foram associadas tais “características distorcidas”. 
É revoltante e absurdo que o livro didático seja transmissor de imagens que incutem valores negativos de determinados grupos étnicos, segundo as palavras de Freitag (1997 p.85): “a ausência de temas do aluno carente, do conflito de classes, da discriminação racial, quanto à presença de estereótipos” demonstra que é necessária a inclusão de temas referentes ao preconceito e às diversas formas de injustiça social. Assim, pode–se perceber que a estrutura do livro didático precisa ser modificada, para melhor atender a prática educacional e combater qualquer tipo de discriminação.

Revista Espaço Acadêmico nº 47

O preconceito na escola

A escola é responsável pelo processo de socialização infantil no qual se estabelecem relações com crianças de diferentes núcleos familiares. Esse contato diversificado poderá fazer da escola o primeiro espaço de vivência das tensões raciais. A relação estabelecida entre crianças brancas e negras numa sala de aula pode acontecer de modo tenso, ou seja, segregando, excluindo, possibilitando que a criança negra adote em alguns momentos uma postura introvertida, por medo de ser rejeitada ou ridicularizada pelo seu grupo social. O discurso do opressor pode ser incorporado por algumas crianças de modo maciço, passando então a se reconhecer dentro dele: "feia, preta, fedorenta, cabelo duro", iniciando o processo de desvalorização de seus atributos individuais, que interferem na construção da sua identidade de criança.

A exclusão simbólica, que poderá ser manifestada pelo discurso do outro, parece tomar forma a partir da observação do cotidiano escolar. Este poderá ser uma via de disseminação do preconceito por meio da linguagem, na qual estão contidos termos pejorativos que em geral desvalorizam a imagem do negro.

O cotidiano escolar pode demonstrar a (re) apresentação de imagens caricatas de crianças negras em cartazes ou textos didáticos, assim como os métodos e currículos aplicados, que parecem em parte atender ao padrão dominante, já que neles percebemos a falta de visibilidade e reconhecimento dos conteúdos que envolvem a questão negra.

Essas mensagens ideológicas tomam uma dimensão mais agravante ao pensarmos em quem são seus receptores. São crianças em processo de desenvolvimento emocional, cognitivo e social, que podem incorporar mais facilmente as mensagens com conteúdos discriminatórios que permeiam as relações sociais, aos quais passam a atender os interesses da ideologia dominante, que objetiva consolidar a suposta inferioridade de determinados grupos. Dessa forma, compreendemos que a escola tanto pode ser um espaço de disseminação quanto um meio eficaz de prevenção e diminuição do preconceito.

Para Vigotsky (1984), o psiquismo humano existe por uma apropriação dos modos e códigos sociais. Com a internalização, a criança vai tornando sua o que é compartilhado pela cultura; o discurso social passa a ter um sentido individual. Mas os referenciais externos dos negros são dilacerantes. A mensagem transmitida é que, para o negro existir, ele tem de ser branco, ou seja, para se afirmar como pessoa precisa negar o seu corpo e sua cultura, enfim, sua etnicidade. O resultado dessa penalização é o desvirtuamento da identidade individual e coletiva, havendo um silenciamento do preconceito por parte da criança e do cidadão ao longo da vida.

Nesse sentido, a escola poderá "silenciar" as crianças negras, intensificando o sentimento de coisificação ou invisibilidade, que pode gerar uma angústia paralisante, de modo que seus talentos e habilidades se tornem comprometidos por não acreditarem nas suas potencialidades, ambicionando pouco nas suas atividades ocupacionais futuras. Mais adiante, essa experiência leva a criança a se questionar sobre o que é preciso para ser olhada, reconhecida. Nesse momento, poderá dar início ao processo de embranquecimento e auto-exclusão de suas características individuais e étnicas. Tais conseqüências na identidade infantil passaram a ser preocupação e foco de estudo de alguns teóricos.

Waléria Menezes

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Onde está a África no Brasil?

O Brasil tem a maior população de origem africana fora da África e, por isso, as culturas desse continente exercem grande influência, principalmente na região nordeste do Brasil. Hoje, a cultura afro-brasileira é resultado também das influências dos portugueses e indígenas, que se manifestam na música, religião e culinária
Música
A principal influência da música africana no Brasil é, sem dúvidas, o samba. O estilo hoje é o cartão-postal musical do país e está envolvido na maioria das ações culturais da atualidade. Gerou também diversos sub-gêneros e dita o ritmo da maior festa popular brasileira, o Carnaval.
Mas os tambores de África trouxeram também outros cantos e danças. Além do samba, a influência negra na cultura musical brasileira vai do Maracatu à Congada, Cavalhada e Moçambique. Sons e ritmos que percorrem e conquistam o Brasil de ponta a ponta.
Capoeira
Inicialmente desenvolvida para ser uma defesa, a capoeira era ensinada aos negros cativos por escravos que eram capturados e voltavam aos engenhos. Os movimentos de luta foram adaptados às cantorias africanas e ficaram mais parecidos com uma dança, permitindo assim que treinassem nos engenhos sem levantar suspeitas dos capatazes.
Durante décadas, a capoeira foi proibida no Brasil. A liberação da prática aconteceu apenas na década de 1930, quando uma variação (mais para o esporte do que manifestação cultural) foi apresentada ao então presidente Getúlio Vargas, em 1953, pelo Mestre Bimba. O presidente adorou e a chamou de “único esporte verdadeiramente nacional”.
Religião
A África é o continente com mais religiões diferentes de todo o mundo. Ainda hoje são descobertos novos cultos e rituais sendo praticados pelas tribos mais afastadas. Na época da escravidão, os negros trazidos da África eram batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. Porém, a conversão não tinha efeito prático e as religiões de origem africana continuaram a ser praticadas secretamente em espaços afastados nas florestas e quilombos.
As religiões afro-brasileiras constituem um fenômeno relativamente recente na história religiosa do Brasil. O Candomblé, a mais tradicional e africana dessas religiões, se originou no Nordeste. Nasceu na Bahia e tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral. Com raízes africanas, a Umbanda também se popularizou entre os brasileiros. Agrupando práticas de vários credos, entre eles o catolicismo, a Umbanda originou-se no Rio de Janeiro, no início do século 20.
Culinária
Outra grande contribuição da cultura africana se mostra à mesa. Pratos como o vatapá, acarajé, caruru, mungunzá, sarapatel, baba de moça, cocada, bala de coco e muitos outros exemplos são iguarias da cozinha brasileira e admirados em todo o mundo.
Mas nenhuma receita se iguala em popularidade à feijoada. Originada das senzalas, era feita das sobras de carnes que os senhores de engenhos não comiam. Enquanto as partes mais nobres iam para a mesa dos seus donos, aos escravos restavam as orelhas, pés e outras partes dos porcos, que misturadas com feijão preto e cozidas em um grande caldeirão, deram origem a um dos pratos mais saborosos e degustados da culinária nacional. 

Cultura afro-brasileira: Portal Brasil