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segunda-feira, janeiro 31, 2011

A cultura negra em sala de aula

ERROS

Abordar a história dos negros a partir da escravidão.
Apresentar o continente africano cheio de estereótipos, como o exotismo dos animais selvagens, a miséria e as doenças, como a aids.
Pensar que o trabalho sobre a questão racial deve ser feito somente por professores negros para alunos negros.
Acreditar no mito da democracia racial.

ACERTOS

Aprofundar-se nas causas e conseqüências da dispersão dos africanos pelo mundo e abordar a história da África antes da escravidão.
Enfocar as contribuições dos africanos para o desenvolvimento da humanidade e as figuras ilustres que se destacaram nas lutas em favor do povo negro.
A questão racial é assunto de todos e deve ser conduzida para a reeducação das relações entre descendentes de africanos, de europeus e de outros povos.
Reconhecer a existência do racismo no Brasil e a necessidade de valorização e respeito aos negros e à cultura africana.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Indicação

Entrem no link: http://www.mazzaedicoes.com.br/
Vocês irão se surpreender!


MAZZA EDIÇÕES reflete em seu catálogo o empenho de escritores e leitores, que acreditam na construção de uma sociedade baseada na ética, na justiça e na liberdade. Acreditando nisso, a MAZZA EDIÇÕES investiu na publicação de autores / autoras negro(a)s e de livros que abordam os diversos aspectos da cultura afro-brasileira relacionada, por sua vez, a um largo segmento das populações excluídas no Brasil. No tocante a essa temática, a Editora se tornou referência nacional e internacional, na medida em que contribui para os debates acerca da diversidade sócio-cultural de nosso país.

Zumbi

Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data - transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 - não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.
O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.
Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.
Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife.
O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.
Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.
Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.
Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.
Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.
“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.



 por E. M. Nações Unidas as 10.11.06 #

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Justificativas para o estudo de História Africana

Caso o Brasil fosse um país sem nenhuma imigração africana de importância, não seria surpreendente que os currículos escolares dispensassem estes conteúdos. Mesmo assim, por razões da história da humanidade, ou mesmo da história econômica do capitalismo, seria indispensável um conhecimento da história africana. Surpreendente e impensável é um país que nos seus pelos menos últimos quatro séculos teve não somente a imigração africana maciça como também tem a maioria da sua população descendente de africanos, não ter história africana nos currículos escolares.
Pela cultura e pelas construções de identidades dos Afro-descendentes e em nome das pluralidades culturais são justificáveis a presença da história africana como fundamento do conhecimento da história nacional.
No entanto, devido o país ter sido colonizado por portugueses provenientes da Península Ibérica e, visto que o desenvolvimento diferenciado de Portugal e Espanha, com relação ao restante da Europa, no século 14 e 15, se deve em parte pela influência africana nesta região. Tenho de lembrar que Portugal e Espanha foram colônias dos Mouros por 700 anos. Que estes Mouros são fusão de Africanos Islamizados e Árabes. Temos que rever que os conhecimentos técnicos e científicos neste período são mais avançados na África e no Mundo Árabe do que na Europa, para compreendermos a mecânica dos processos de desenvolvimento de Portugal e Espanha com relação ao restante da Europa.
O argumento principal para o ensino da História Africana esta no fato da impossibilidade de uma boa compreensão da história brasileira sem o conhecimento das histórias dos atores africanos, indígenas e europeus. As relações trabalho-capital, realizadas no escravismo brasileiro são antes de qualquer coisa, relações entre africanos e europeus. As tecnologias utilizadas nos ciclos econômicos brasileiros são de origem africana e, as formas de produção são altamente dependentes do tipo de mão da obra e dos estágios civilizatórias das nações africanas. A história política brasileira inicialmente é do escravismo e da alternativa política dos Quilombos, este último, produto das formas organizativas africanas reelaboradas para a realidade brasileira.
A partir de 1500, o entendimento da história econômica, política e cultural do Brasil, só é possível através do conhecimento da história e da cultura africana. Sem estes elementos se constrói uma história parcial, distorcida e promotora de racismos.
Ela produz a eliminação simbólica do africano e da história nacional.

Henrique Cunha Júnior - professor da Universidade Federal do Ceará


segunda-feira, janeiro 24, 2011

Griots

Griot, Griots ou contadores de histórias, vivem hoje em muitos lugares da África ocidental, incluindo Mali, Gâmbia, Guiné, e Senegal, e estão presentes entre os povos Mandê ou Mandingas (Mandinka, Malinké, Bambara, etc.), Fulɓe (Fula), Hausa, Songhai, Tukulóor, Wolof, Serer, Mossi, Dagomba, árabes da Mauritânia e muitos outros pequenos grupos. A palavra poderá derivar da transliteração para o francês "guiriot" da palavra portuguesa "criado".
Nas línguas africanas, Griots são referidos por uma série de nomes: Jeli nas áreas ao norte de Mandê.


Numa cultura oral como a africana, o griot conserva a memória colectiva. Por isso, é costume dizer-se que «quando na África morre um ancião é uma biblioteca que desaparece». A figura do griot tem uma enorme importância na conservação da palavra, da narração, do mito. Na prática, eles funcionam como escritores sem papel nem pena. Ortografam na oralidade aquilo que deve permanecer embutido na memória e no coração dos seus familiares e conterrâneos, no sentido de manter incrustada a identidade do seu ser e das suas raízes, fundamentada, em grande parte, no seu passado e nos seus predecessores.

Os griots são os guardiães, intérpretes e cantores da História oral de muitos povos africanos. Na língua mandinga são conhecidos como jali e na África Central como mbomvet. Todos eles possuem uma função social bastante semelhante e de grande relevância.

Os griots cantam a história épica da África e os mitos dos diferentes povos, ou elogiam os méritos dos heróis e personagens do passado, geralmente acompanhados por instrumentos musicais, como a kora ou o xilofone.



                                                   Griot wolof do Senegal, 1890

domingo, janeiro 23, 2011

Coleção Griot Mirim


Madu Costa, Madu Galdino, Martha Rodrigues e Mara Evaristo - Mazza Edições – Belo Horizonte
Griot é o contador de histórias africano que passa a tradição dos antepassados de geração em geração. O objetivo dessa coleção é trabalhar a identidade afrodescendente na imaginação infantil. E é justamente à imaginação que esses livros falam a partir de uma composição sensível, de textos curtos e poéticos, associados a belas ilustrações. Modo lúdico de reforçar a autoestima da criança a partir da valorização de seus antepassados, de sua cultura e de sua cor.



Brasil – Uma alma de realeza e cultura afro- descendente

O costume de se escravizar seres humanos já era antigo, e já existia na África, entre nações africanas inimigas. Os exploradores espanhóis e lusitanos aderiram ao costume, vendo nele um negócio lucrativo para a economia européia durante a colonização.

 Na África, homens e mulheres, crianças, antes livres; guerreiros, artesãos, caçadores, príncipes e reis e soberanos africanos, eram capturados, por ataques planejados, acorrentados e embarcados nos porões dos tumbeiros para o Novo Mundo. Eram trazidos do Sudão, de Serra Leoa, da Guiné, da Costa do Marfim, da Nigéria, do Congo, de Angola, de Moçambique. Eram etnias diferentes, pessoas que falavam línguas diferentes, que tinham costumes diferentes e que adoravam deuses diferentes.

Durante 400 anos, toda a economia do Brasil foi sustentada pelo trabalho escravo. Os maus tratos e a noção de que tais pessoas eram menos do que humanas eram a regra. Todavia, aos poucos, a Alma Africana foi se fundindo com a Alma luso-indígena, tanto em termos culturais, quanto em termos biológicos. Surgiu então uma cultura brejeira e houve um tempo em que a população negra e mulata do Brasil era quase três vezes superior à população mais nitidamente caucasiana. Era a afrodescendência formando a base étnico-cultural do Brasil. O ritmo musical africano, alegre e lúdico, produziu uma infinidade de formas artísticas brasileiras, antes não existentes na África. A culinária sagrada africana, toda ela voltada para os deuses, para os Orixás, entidades dos elementos e forças criadoras-ancestrais, tornou-se profana e se somou à culinária indígena do milho, da mandioca e do peixe, produzindo iguarias gastronômicas inigualáveis.

A influência africana produziu ainda modificações mais acentuadas na língua nativa, criando uma forma de português tupinizado e africanizado peculiar ao Brasil. Todo brasileiro nativo tem, na cor da sua pele, e na sua ginga corporal ou mental, a presença indisfarçável de nossos ancestrais negros. O folclore, as artes, a literatura, a forma poética de falar, a postura física, a morenice, o suingue, a tendência carinhosa e informal de falar empregando diminutivos, tudo isto é o pedaço africano da nossa Alma Brasileira, algo que está totalmente enraizado em nosso corpo etérico, por destino dos Deuses. Nossa alma africana nos ensina, por exemplo, a dignidade e a alegria mesmo diante do sofrimento e do preconceito.


sábado, janeiro 22, 2011

O Homem Invisível

Cresce e carrega suas tranças crespas
Descendo e subindo as ladeiras [da vida]
Erguendo a cabeça pro impossível
Causando inveja
Presenteado de desdém
Rodeados de inimigos
Lendo piadas no jornal
Correndo contra o tempo
Veloz como o vento
Pois, a oportunidade não o espera
Nem, dele, se faz refém
Cheio de crenças
Tantos santos e oferendas
Nesta terra imensa
Assoberbada de incertezas
Que só a chuva e a natureza
Querem seu bem
Menino, negro, menino!
De um grão faz seu destino
Ouve tantos papos
Poucos incentivos
Mas não deixa apagar
A luz intensa lá de dentro
Do seu mais intimo infinito
Nem esquece o que disse
A voz da sabedoria:
“Menino negro
Negro, menino
Acorde, Lute!
É hora de conquistar
Acorde, Lute!”


de Celizio de Souza Conceição Filho

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Astronomia

Nesse campo do conhecimento é interessante citar as contribuições dos antigos africanos da nação Dogon, situados na região do antigo Mali. Eles já tinham conhecimento da existência do “pequenino satélite da estrela Sirius, o Sirius B, invisível a olho nu. Denominavam-no Potolo, e desenhavam, com exata precisão, a sua órbita em torno de Sírius.

Reproduziam a sua trajetória em desenhos que conferem precisamente com a órbita observada pela astronomia moderna. Ainda mais conhecedores de oitenta e seis elementos fundamentais, os Dogon sabem identificar as propriedades do metal que compõe o satélite, que chamavam sagala, mais brilhante que o ferro e tão pesado que todos os seres terrestres juntos não seriam capazes de levantá-lo.

No período de um ano, Sirius B roda uma vez em torno de seu próprio eixo, evento celebrado pelos Dogon com o festival bado. Esta rotação ainda não é conhecida dos astrônomos modernos, que, no entanto, já confirmaram a órbita de cinquenta anos que os Dogon constataram para outra estrela que órbita Sirius.

Enfim, nas palavras de um cientista ocidental, os Dogon conhecem, sem apoio de qualquer instrumento da ciência moderna, coisas que “não têm o menor direito de saber” (Brecher 1977). Amplamente documentado, porém, pelos antropólogos franceses Marcel Griaule e Germaine Dieterlen e outros, o conhecimento dos Dogon efetivamente ultrapassa em muito aquilo que, de acordo com os cânones da ciência ocidental euro-centrista, essa “ tribo primitiva” poderia saber” (NASCIMENTO, 1994, p.27).

fonte: África - Brasil um elo de herança ancestral

quarta-feira, janeiro 19, 2011

África – Celeiro da Realeza, Aventuras e Conquistas

Rei de Songhay (1464 - 1492)

Quando
Sunni Ali Ber chegou ao poder, Songhay era um pequeno reino no Sudão ocidental. Mas durante seu reinado de vinte e oito anos, esse reino se transformou no maior e mais poderoso império da África Ocidental. Sunni Ali Ber organizou um exército notável e com esta força feroz, o rei guerreiro ganhou várias batalhas. Ele derrotou os nômades, aumentou as rotas de comércio, conquistou aldeias, e ampliou seu domínio. Ele capturou Timbuktu, trazendo para o império de Songhay um centro mais amplo de cultura de comércio, e bolsa de estudos muçulmano.



fonte: África-Brasil um elo de herança ancestral

terça-feira, janeiro 18, 2011

Teodoro Sampaio

Nascido em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, em 1855, filho da escrava Domingas da Paixão e do senhor de engenho Francisco Antônio da Costa Pinto, pai que nunca o legitimou. Na falta do pai, sua instrução foi assumida pelo tio, comendador  Manuel Lopes da Costa Pinto, que o enviou para São Paulo e, posteriormente, para um colégio interno (Colégio São Salvador) no Rio de Janeiro. No ano de 1877, aos 22 anos de idade, Teodoro Sampaio forma-se na recém-criada Escola Politécnica Fluminense, fazendo-se sócio do Instituto Politécnico Brasileiro.

Volta a Santo Amaro, na Bahia, onde nasceu. Ali, revê a mãe e os irmãos, e comprando, no ano seguinte, a carta de alforria de sua mãe e de seu irmão Martinho, gesto que repete com os irmãos Ezequiel (1882) e Matias (em 1884). Por ser filho de branco, Sampaio nunca fora um escravo.

Posteriormente ele, radica-se em São Paulo, onde inicia a carreira profissional de engenheiro civil.
Na trajetória desse importante intelectual brasileiro constam: a reconstrução do velho prédio da Faculdade de Medicina, no Terreiro de Jesus em Salvador; a sua eleição como Deputado Federal; a publicação de obras importantes como O Tupi na geografia nacional (1901), Atlas dos Estados Unidos do Brasil (1908), A posse do Brasil Meridional, e outros.

 Sua nomeação para diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da recém-inaugurada Universidade de São Paulo (USP) foi muito importante para o fortalecimento da principal universidade do país, uma vez que foi responsável pela vinda de grandes intelectuais internacionais para compor o corpo docente da USP.

domingo, janeiro 16, 2011

O Legado Científico e Tecnológico dos Afro-brasileiros

O rigor imposto pela escravidão no Brasil não foi o suficiente para destruir uma cultura milenar, como é o caso da cultura africana, que no Brasil foi reelaborada com o objetivo de continuar orientando os seus descendentes.

 A ciência e a tecnologia desenvolvidas pelos africanos, enquanto formas de expressão de sua cultura, foram muito abaladas com o processo escravocrata, uma vez que todo um continente foi desestruturado para saciar a ganância dos colonizadores europeus e, nesse sentido, não foram poupadas as crianças, os jovens, nem os adultos - bases importantes para o fluxo do conhecimento; o desenvolvimento de novas ideias e a manutenção de um sistema educacional que propiciasse um maior desenvolvimento social para os povos africanos e da Diáspora.

Ao chegar no Brasil, os africanos foram inseridos como seres sem passado e tiveram a sua condição humana negada. Considerando o aspecto emocional no desempenho cognitivo, o que dizer das condições dadas aos africanos e afro-descendentes para produzir conhecimento no contexto da sociedade escravocrata brasileira?

Mais uma vez, o “determinismo histórico” não se confirmou e em meio à sociedade escravocrata e pós-abolicionista emergem personagens afro-brasileiros que deram contribuições importantíssimas para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil. Os engenheiros André Rebouças e Teodoro Sampaio e o Médico Juliano Moreira representam bem a superação desses afro-brasileiros.

Ao apresentarmos o histórico das conquistas tecnológicas e científicas dos povos e indivíduos africanos e afro-brasileiros esperamos que esses exemplos estimulem os profissionais de educação a utilizar as referências históricas da população africana e da diáspora para encorajar os estudantes negros e negras e não negros a terem orgulho das contribuições do negro para a construção do nosso país, transcendendo a tradicional referência aos elementos culturais (culinária, dança, música e linguagem) as quais, apesar da importância, não foram as únicas expressões da capacidade intelectual dos povos africanos que foram trazidos para este país; se estabeleceram e deram também sustentação técnica e econômica à sociedade Brasileira.


fonte: África-Brasil um elo de herança ancestral

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Solano Trindade

Nasceu no dia 24 de julho de 1908, no bairro de São José, no Recife (PE). Além de poeta, foi pintor, teatrólogo, ator e folclorista. Legítimo poeta da resistência negra por excelência. Em 1930, começa a compor poemas afro-brasileiros. Em1934, participa do I e do II Congresso Afro-Brasileiro, no Recife e Salvador. Em 1936, fundou a Frente Negra Pernambucana e o Centro de Cultura Afro-brasileiro, para divulgação dos intelectuais e artistas negros. Em 1940, transfere-se para Belo Horizonte. Depois chega ao Rio Grande do Sul, fixando-se por um tempo em Pelotas, onde funda com o poeta Balduíno de Oliveira um grupo de arte popular, que não foi avante por causa das enchentes.

Retornou ao Recife em 1941, mas logo foi para o Rio de Janeiro, onde faz sucesso no "Café Vermelhinho". Em 1945, funda o Comitê Democrático Afro-brasileiro, com Raimundo Souza Dantas, Aladir Custódio e Corsino de Brito. Em 1954, está em São Paulo, criando na cidade de Embu, um pólo de cultura e tradições afro-americanas. Em São Paulo também funda o Teatro Popular Brasileiro – TPB, onde desenvolveu intensa atividade cultural voltada para o folclore e para a denúncia do racismo. Em 1955, viaja para a Europa, com o TPB, onde dá espetáculos de canto e dança. Faleceu no Rio de janeiro, em 19 de fevereiro de 1974. 

Livros
  • Poemas de Uma Vida Simples, Rio de Janeiro, 1944,
  • Cantares do Meu Povo, São Paulo, 1963.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

SOU NEGRO

A Dione Silva

Sou Negro
meus avós foram queimados
pelo sol da África
minh'alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs


Contaram-me que meus avós
vieram de Luanda
como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo
e fundaram o primeiro Maracatu.


Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi
Era valente como quê
Na capoeira ou na faca
escreveu não leu
o pau comeu
Não foi um pai João
humilde e manso


Mesmo vovó não foi de brincadeira
Na guerra dos Malês
ela se destacou


Na minh'alma ficou
o samba
o batuque
o bamboleio
e o desejo de libertação...



(Solano Trindade)

Religiosidade Africana

A  religiosidade africana reconhece a existência do Deus da Criação, mas não define o deus.
Os povos afirmam que Deus é invisível, que é uma outra maneira de afirmar que não conhece o deus em nenhuma forma física. Subseqüentemente, em nenhuma parte da África nós encontramos as imagens ou as representações físicas desse deus, criador do universo..
No geral, os povos africanos consideram que o universo, está divido em duas porções: o visível e o invisível. Os seres humanos vivem no nível visível, o deus e os seres espirituais vivem no nível invisível. Há uma ligação entre os dois mundos. O deus e os seres espirituais que fazem sua presença no nível físico; e as pessoas se projetam para o nível espiritual através de deus e os divinizados. O religiosidade africana é muito sensível na questão sobre a dimensão espiritual.
Os seres espirituais explicam o "espaço antológico" entre seres humanos e Deus. Estes podem ser reconhecidos de formas diferentes, de que principais são: os divinizados e espíritos. Os divinizados foram criados por Deus, e alguns são também personificados de fenômenos e de objetos naturais principais tais como montanhas, lagos, rios, terremotos, trovão, etc.. Os espíritos podem ser considerados em duas categorias: divinos celestiais (céu) e do mundo. Os espíritos "divinos" são aqueles associados com os fenômenos e os objetos "divinos" tais como o sol, as estrelas, cometas, chuva e tempestades. E os "da terra" são em parte aqueles associados com os fenômenos e os objetos da terra, e em parte aqueles que são das pessoas após a morte (Egungun).
Um Deus, que é criador de tudo”.
Naturalmente nós não podemos dizer como ele é. Mas os povos africanos não reconhecem nenhum outro ser da mesma natureza ou o outro igual como se haveria, mais de um deus, seria deus de qualquer outra coisa, outro ser, é menos do que o deus e não pode ser chamado Deus Africano, pois a religiosidade não entende a idéia que:
Não poderia ser mais de um deus que fez os homens e a terra, que criou o céu e as montanhas, as águas e a luz, as estrelas e a lua, que ainda cria bebês.. Em todo o argumento, o ato da criação, por exemplo, é atribuído ao um deus no singular, o “Deus da Criação”
A religiosidade africana tem muito para dizer sobre Deus. O monoteísmo africano focaliza Deus como sendo o criador e toda a sustentação eterna de todas as coisas.
A opinião na existência de outros seres espirituais além de Deus é difundida. Foram criados por Deus e são sujeitos a Deus. Podem ser considerados em duas categorias: aqueles associaram com a natureza e as aquelas que são restos de seres humanos após a morte. Os espíritos da natureza são personificações de objetos e de fenômenos celestes ou da terra: as estrelas, o sol, trovão, chuva e tempestades, montanhas, terremotos, lagos, cachoeiras, e cavernas. Nós indicamos que a morte não aniquila as pessoas. Simplesmente, após a morte, as pessoas vêem em forma de espíritos e continuam a viver no mundo  em uma vida paralela onde se relacionam, em especial aos membros de sua família que onde são citados ainda pelo nome. Alguns desses espíritos são envolvidos na divinização.

Portal Orixás

terça-feira, janeiro 11, 2011

Os Impérios Africanos

Império de Gana
Entre os séculos 4 e11, era conhecido como o Império do Ouro. Seu povo dominava técnicas de mineração e usava instrumentos como a bateia, importante para o avanço do ciclo do ouro no Brasil. O clima úmido da região favorecia o desenvolvimento da agricultura e da pecuária

Império de Mali
Expandiu-se por volta do século 12. As cidades de Tumbuctu, Gao e Djene eram importantes centros universitários e culturais. O povo Dogon, que habitava a região, registrou em monumentos as luas de Júpiter, os anéis de Saturno e a estrutura espiral da Via-Láctea, observações feitas a partir do século 17, na Europa

Império de Songai
Nos séculos 14 e 15, se sobrepôs ao Império de Mali. Técnicas de plantio e de irrigação por canais foram aperfeiçoadas e vieram para o Brasil juntamente com os negros escravizados. Esses saberes favoreceram a expansão da agricultura, principalmente durante os ciclos da cultura de cana-de-açúcar e do café

Civilização Yorubá
Desenvolveu-se a partir do século 11. Os povos dominavam técnicas de olaria, tecelagem, serralheria e metalurgia do bronze, utilizando a técnica da cera perdida (molde de argila que serve de receptáculo para o metal incandescente). A capital, Oyo Benin, era dividida em quarteirões especializados (curtume, fundição etc.)

Reino do Congo
Já no final do século 16, os habitantes dessa região eram especialistas em forjar ferro e cobre para produção de ferramentas. Introduziram na nossa lavoura a enxada, uma espécie de arado e diversos tipos de machados, que serviam tanto para cortar madeira como para uso em guerras

Vale da Grande Fenda
Foi aqui que as linhagens do macaco e do homem se separaram. Há 2 milhões de anos, essa era a única área habitada por nossos ancestrais. O Homo erectus partiu para a Europa e a Ásia, mas os que continuaram nessa região se transforamaram em sapiens, que posteriormente povoaram o mundo.

Fontes: Douglas Verrangia, Jorge Euzébio Assumpção, Scientific American, edição especial no11 Etnomatemática, site Mathematicians of the African Diaspora.

A África não é um país, e sim um continente!

Essa afirmação pode parecer absurda, mas não é. "Há uma tendência em falar da África como se todos que ali vivem tivessem os mesmos hábitos e tradições", diz Rafael Sânzio Araújo dos Anjos, coordenador do Centro de Cartografia Aplicada e Informação Geográfica da UnB. Ele sugere que o professor localize em mapas os diversos povos que vieram para o Brasil e as riquezas de cada região, principalmente as minas de ouro e diamantes, para a turma entender os motivos da exploração.
Ao falar sobre os diversos povos, é possível destacar as contribuições de cada um para a economia do Brasil Colônia. "Eles trouxeram para cá a melhor tecnologia dos trópicos", informa Rafael. Tanto que os donos das terras encomendavam aos mercadores mão-de-obra especializada para a atividade de seus domínios. Os alunos da 4ª série da Escola Estadual Luigino Burigotto, em Limeira (SP), ficaram espantados ao saber que a enxada, o arado e técnicas de irrigação vieram para o Brasil com os negros.
Portal Orixás

segunda-feira, janeiro 10, 2011

A Tradição Africana

No geral, os povos africanos consideram que o universo, está divido em duas porções: o visível e o invisível. Os seres humanos vivem no nível visível, o deus e os seres espirituais vivem no nível invisível. Há uma ligação entre os dois mundos. O deus e os seres espirituais que fazem sua presença no nível físico; e as pessoas se projetam para o nível espiritual através de deus e os divinizados. A religiosidade africana é muito sensível na questão sobre a dimensão espiritual.
Os seres espirituais explicam o "espaço antológico" entre seres humanos e Deus. Estes podem ser reconhecidos de formas diferentes, de que principais são: os divinizados e espíritos. Os divinizados foram criados por Deus, e alguns são também personificados de fenômenos e de objetos naturais principais tais como montanhas, lagos, rios, terremotos, trovão, etc.. Os espíritos podem ser considerados em duas categorias: divinos celestiais (céu) e do mundo. Os espíritos "divinos" são aqueles associados com os fenômenos e os objetos "divinos" tais como o sol, as estrelas, cometas, chuva e tempestades. E os "da terra" são em parte aqueles associados com os fenômenos e os objetos da terra, e em parte aqueles que são das pessoas após a morte (Egungun). 
Afirmando que toda essa religiosidade é baseada e estruturada na relação entre os seres humanos e a natureza. As plantas, os animais, os fenômenos naturais em geral e são manifestações do sagrado.
Na religião Yorubá, a cosmovisão também no Candomblé, a liturgia e a leitura dos seres humanos na sua singularidade são toda em cima dos fatos e fenômenos naturais. As relações entre os seres humanos e a natureza são indissolúveis e essenciais: “sem folha, não há o culto em si, não há vida, não há nada”.


Portal Orixás

sábado, janeiro 08, 2011

Marama e o rio dos Crocodilos - Conto africano

Marama e o rio dos crocodilos é outro exemplo do que pode acontecer quando o pai e a mãe desaparecem da vida de sua filha, e a menina órfã aprende a se fazer respeitar pelas pessoas com quem convive. É típico de quem perde todo sistema referencial porque não pode mais viver o mesmo valor que os pais. Tem-se a sensação de ficar órfão realmente. Isto é válido tanto para uma jovem como para um jovem, seja ele asiático, europeu, americano, ou africano como Marama. Branca de Neve e Marama são, em certo ponto, irmãs que conheceram a mesma história. Porém, Marama se confronta de certa maneira com realidades muito primitivas, com o lado violento e feroz, que exige dela muito cedo saber se colocar. Por tocar nesse lado mais primitivo, a leitura deste conto nos fala de outro modo. Mas deixemos o conto falar primeiro.


Marama e o rio dos Crocodilos


Marama era uma menininha e, quando seus pais morreram, o chefe da tribo a entregou aos cuidados de uma das mulheres de aldeia.

Mas era uma mulher má que batia na menina, não lhe dava nada para comer e só pensava em como se livrar dela. Um dia, ela deu a Marama um pilão pesado, que se usa para descascar arroz, e lhe disse:

-Vá ao rio dos Crocodilos Bama-Bá e lave este pilão para eu poder usá-lo para descascar arroz.

Marama se pôs a chorar, porque o rio era muito afastado, era muito profundo e caudaloso, cheio de cobras e crocodilos. As pessoas tinham medo de ir até lá e só ás gazelas e os leões iam lá beber.

Porém, Marama tinha tal medo de sua madrasta ruim, que pegou o pilão e foi-se embora.

No caminho para a floresta ela encontrou um leão. Ele sacudiu sua juba e rosnou com uma voz terrível:

- Como você se chama e para onde você vai?

Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:

-Marama é meu nome

E não tenho mãe...

Vou ao rio

Para lavar este pilão.

Ao rio dos Crocodilos

Minha madrasta me mandou.

Lá só vão gazelas

E leões para beber.

Lá dormem cobras

e crocodilos.

-Então vá, Marama, menina sem mãe! - disse o leão. Vá e não tenha medo. Vou cuidar para que as gazelas e os leões não incomodem você quando forem beber.

Marama continuou seu caminho e, quando chegou ao rio, um crocodilo horrendo e velho surgiu na sua frente, abrindo sua enorme boca, seus grandes olhos vermelhos lhe saindo da cabeça.

- Qual é seu nome e para onde você vai? – perguntou.

Marama estava com medo mortal, mas cantou com sua doce voz:

-Marama é meu nome

E não tenho mãe...

Vou ao rio

Para lavar este pilão.

Ao rio dos Crocodilos

Minha madrasta me mandou.

Lá só vão gazelas

E leões para beber.

Lá dormem cobras

e crocodilos.

-Então vá, Marama, menina sem mãe! – disse o crocodilo. Lave seu pilão e não fique espantada. Vou cuidar para que as cobras e os crocodilos que vivem no rio não incomodem você.

Marama ajoelhou-se na beira do rio e começou a lavar o pilão. Mas estava tão pesado, que lhe escapou das mãos, desaparecendo na água. Marama começou a chorar, porque não podia voltar para casa sem o pilão. De repente, surgiu na água um crocodilo que lhe estendeu um novo pilão, limpinho e branquinho, incrustado de ouro e prata.

-Leve este pilão para casa, Marama, menina sem mãe, e mostre-o a toda aldeia, a fim de que todo mundo saiba que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos, é seu amigo.

Marama lhe agradeceu e voltou para casa. No caminho, encontrou de novo o leão.

- Deixe-me pegar o pilão, Marama, menina sem mãe – disse ele. É pesado demais para você. Vou levá-lo até sua casa, assim todo mundo vai saber que o poderoso Subara, rei do rio dos crocodilos é seu amigo.

Quando Marama chegou em casa, a madrasta admirou muito o pilão e lhe perguntou onde o havia encontrado. Marama apenas lhe contou que o tinha encontrado no rio dos crocodilos. Então a madrasta pegou outro velho pilão de arroz, afim de também encontrar um novo, branquinho e incrustado de ouro e prata.


No caminho para a floresta, encontrou-se com o leão. Meneando a juba, ele rugia com voz terrível:

-Quem é você e para onde vai?

A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra, pôs se a correr a não mais poder. O leão a seguiu com seus olhos até ela desaparecer entre as árvores, e depois simplesmente levantou os ombros.

Quando chegou ao rio, um velho, horroroso crocodilo lhe atravessou o caminho, abrindo uma enorme boca, seus olhos vermelhos e grandes lhe saindo da cabeça.

-Como você se chama e para onde vai? – perguntou.

A mulher má teve tanto medo, que não conseguiu dizer uma palavra e foi pela beira do rio. Não foi muito longe. De todos os lados, os leões e as gazelas que vinham beber no rio a cercaram, assim como as cobras e os crocodilos que viviam no rio, e todos cantavam em coro:

-Marama, a menina sem mãe,

pode vim lavar
seu pilão no rio,
pois o poderoso Subara,
rei do rio,
é seu amigo.

Mas para você, mulher má,
o rio dos crocodilos
significa a morte!
E assim foi.


Maiores informações e interpretações a respeito deste conto leiam: O QUE CONTA O CONTO? Jente Bonaventura

Cultura e Africanidade

A CULTURA é fundamental para a compreensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso comportamento social.   Entender como estes valores se internalizaram em nós e como eles conduzem nossas emoções e a avaliação do outro, é um grande desafio.
Cultura é um processo em permanente evolução, diverso e rico. É o desenvolvimento de um grupo social, uma nação, uma comunidade; fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais e materiais.  É o conjunto de fenômenos materiais e ideológicos que caracterizam um grupo étnico ou uma nação ( língua, costumes, rituais, culinária, vestuário, religião, etc ), estando em permanente processo de mudança.
AFRICANIDADES é um tema que está em pauta para reflexão, em todas as esferas da sociedade: educação, política, religião, economia ( nas leis sancionadas no governo Lula, conquista dos movimentos negros nas políticas de Ação Afirmativa, no processo de mudança social onde cada vez mais se torna visível a questão da discriminação em contradição com a visibilidade das potencialidades étnico-raciais e sociais em todos os níveis ( idade, cor, religião, gênero, manifestação cultural, classe social, etc ).
Cada vez mais se exige o conhecimento da cultura africana sem o véu do folclore que minimiza sua  importância junto ás matrizes indígenas e principalmente européia.
O Brasil é considerado o mais africano entre os países americanos, pois foi o principal receptor de escravos originários de África e, atualmente, 45 por cento dos seus 180 milhões de habitantes são negros ou mulatos.  
"O Brasil não só é um país da diáspora africana, mas também um país africano, a segunda maior nação negra do mundo"
Se entendermos que cada grupo étnico possui sua forma de se expressar no mundo, ampliamos nossa compreensão de que há uma diversidade cultural que deve ser respeitada, senão compreendida.  E o respeito compreende a liberdade de expressão.
A história ocidental nos deixou de herança o olhar etnocêntrico. Este olhar foi um dos fatores desencadeadores do fenômeno social da atitude preconceituosa e da discriminação.

Portal Orixás

sexta-feira, janeiro 07, 2011

África - Linha do Tempo

Cerca de 20000 a.C.
O objeto matemático mais antigo é o bastão de Ishango, osso com registros de dois sistemas de numeração. Ele foi encontrado no Congo em 1950 e é 18 mil anos mais antigo do que a matemática grega .
3000 a.C.
O médico negro Imhotep é o verdadeiro pai da medicina: ele viveu 25 séculos antes de Hipócrates e já aplicava no Egito conhecimentos de fisiologia, anatomia e drogas curativas em seus pacientes .
2000 a.C.
O povo haya (da região da atual Tanzânia) produzia aço a 400 graus Celsius — temperatura superior a dos fornos europeus do século 19. Uma faca datada de 900 a.C., feita no Egito, é o objeto de ferro mais antigo .
1650 a.C.
O papiro de Rhind indica que os egípcios sabiam o valor da constante geométrica pi muito antes de Arquimedes (250 a.C.) e as propriedades do triângulo retângulo antes de Pitágoras (séc. 6 a.C.).
Século 12
Muros de pedra de 10 metros de altura foram erguidos na região do Zimbábue. As ruínas revelam saberes avançados também dos povos subsaarianos em construção civil.
1879
O médico inglês R. W. Felkin aprendeu com os banyoro técnicas da cesariana. O procedimento já envolvia assepsia, anestesia e cauterização do corte, que era vertical.


África na sala de aula

O pouco caso com a cultura africana se reflete na sala de aula. O segundo maior continente do planeta aparece em livros didáticos somente quando o tema é escravidão, deixando capenga a noção de diversidade de nosso povo e minimizando a importância dos afro-descendentes. Por isso, em 2003, entrou em vigor a Lei no 10.639/2003, que tenta corrigir essa dívida, incluindo o ensino de história e cultura africanas e afro-brasileiras nas escolas. "Uma norma não muda a realidade de imediato, mas pode ser um impulso para introduzir em sala de aula um conteúdo rico em conhecimento e em valores", diz Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, membro do Conselho Nacional da Educação e redatora do parecer que acrescentou o tema à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
A cultura africana oferece elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento. Para Iolanda de Oliveira, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, se a escola não inclui esses conteúdos no planejamento, cada professor pode colocar um pouco de África em seu plano de ensino: "Não podemos esperar mais para virar essa página na nossa história".