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segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Ibejis

Ìbejì ou Ìgbejì - é divindade gêmea da vida, protetor dos gêmeos (twins) na Mitologia Yoruba, identificado no jogo do merindilogun pelos odu ejioko e iká.
Dá-se o nome de Taiwo ao Primeiro gêmeo gerado e o de Kehinde ao último. Os Yorùbá acreditam que era Kehinde quem mandava Taiwo supervisionar o mundo, donde a hipótese de ser aquele o irmão mais velho.

Cada gêmeo é representado por uma imagem. Os Yorùbá colocam alimentos sobre suas imagens para invocar a benevolência de Ìbejì. Os pais de gêmeos costumam fazer sacrifícios a cada oito dias em sua honra.

O animal tradicionalmente associado a Ìbejì é o macaco colobo, um cercopiteco endêmico nas florestas da África subsariana. A espécie em questão é o colobus polykomos, ou "colobo real", que é acompanhado de uma grande mística entre os povos africanos. Eles possuem coloração preta, com detalhes brancos, e pelas manhãs eles ficam acordados em silêncio no alto das árvores, como se estivessem em oração ou contemplação, daí eles serem considerados por vários povos como mensageiros dos deuses, ou tendo a habilidade de escutar os deuses.
 O colobo é chamado em Yorùbá de edun oròòkun, e seus filhotes são considerados a reencarnação dos gêmeos que morrem, cujos espíritos são encontrados vagando na floresta e resgatado pelas mães colobos pelo seu comportamento peculiar.
Na África , as crianças representam a certeza da continuidade, por isso os pais consideram seus filhos sua maior riqueza.
A palavra Igbeji que dizer gêmeos. Forma-se a partir de duas entidades distintas que coo-existem, respeitando o princípio básico da dualidade.
Entre as divindades africanas, Igbeji é o que indica a contradição, os opostos que caminham juntos, a dualidade. Igbeji mostra que todas as coisas, em todas as circunstâncias, têm dois lados e que a justiça só pode ser feita se as duas medidas forem pesadas, se os dois lados forem ouvidos.
Na África, O Igbeji é indispensável em todos os cultos. Merece o mesmo respeito dispensado a qualquer Orixá, pois o que um orixá faz Igbeji pode desfazer, mas o que um Igbeji faz nenhum outro orixá desfaz.




sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Arte negra ou africana

“A grande arte africana encontra-se basicamente nas bacias fluviais do Níger e do Congo” (Andréas Lommel), região habitada por povos agrícolas de origem banto.
Consiste especialmente na escultura dos antepassados e máscaras, que representam os espíritos dos ancestrais.
As primeiras esculturas estudadas são da aldeia Nok, no vale de Benuê (afluente do rio Níger). É aí o centro de irradiação da arte africana.
Os antepassados são, em geral, representados em pé, com ligeira flexão das pernas.
As esculturas de bronze do Benin e Ife são obras-primas da arte negra.
A pintura africana mais famosa é a das montanhas Tassili-n-Ajjer, no Saara Central. Ali foram encontradas e isoladas 20.000 figuras.
Toda essa riqueza de arte africana encontra-se hoje nos museus da Europa.
A raça negra, a mais escravizada do mundo, apesar de arrancada de sua terra, nunca perdeu sua altivez espiritual e conservou sua extraordinária criatividade artística.
Os africanos cantam e dançam em todos os momentos importantes da vida: ao nascer e ao morrer, quando casam, trabalham ou guerreiam e, sobretudo, nas cerimônias religiosas.
Para o negro africano, as máscaras, as esculturas, decorações, músicas e danças são meios de comunicação, de promoção e de identificação da tribo, e ligação com as diversas divindades.
A maior contribuição da arte negra, no Brasil, foi para a música, com instrumentos e ritmos (samba, batuque) e na formação do sincretismo religioso (umbanda, candomblé).





 

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

África e alguns mitos

O ensino de História sempre privilegiou as civilizações que viveram em torno do Mar Mediterrâneo. O Egito estava entre elas, mas raramente é relacionado à África, tanto que, junto com outros países do norte do continente, pertence à chamada África Branca, termo que despreza os povos negros que ali viveram antes das invasões dos persas, gregos e romanos.
A pequisadora Cileine de Lourenço, professora da Bryant University, de Rhoad Island, nos Estados Unidos, atribui ao pensamento dos colonizadores boa parte da origem do preconceito: "Eles precisavam justificar o tráfico das pessoas e a escravidão nas colônias e para isso 'animalizaram' os negros". Ela conta que, no século 16, alguns zoológicos europeus exibiam negros e indígenas em jaulas, colocando na mesma baia indivíduos de grupos inimigos, para que brigassem diante do público. Além disso, a Igreja na época considerava civilizado somente quem era cristão.
Uma das balelas sobre a escravidão é a idéia de que o processo teria sido fácil pela condição de escravos em que muitos africanos viviam em seus reinos. Essa é uma invenção que não passa de bode expiatório: a servidão lá acontecia após conquistas internas ou por dívidas — como em outras civilizações. Mas as pessoas não eram afastadas de sua terra ou da família nem perdiam a identidade. Muitas vezes os escravos passavam a fazer parte da família do senhor ou retomavam a liberdade quando a obrigação era quitada com trabalho. Outra mentira é que seriam povos acomodados: os negros escravizados que para cá vieram revoltaram-se contra a chibata, não aceitavam as regras do trabalho nas plantações, fugiam e organizavam quilombos.


terça-feira, fevereiro 22, 2011

Países da África


No continente africano existem 53 países: África do Sul, Angola, Argélia, Benin, Botsuana, Burkina Fasso, Burundi, Cabo Verde, Camarões, Chade, Comores, Congo, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Eritréia, Etiópia, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Lesoto, Libéria, Líbia, Madagáscar, Malauí, Mali, Marrocos, Maurício, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Quênia, República Centro-Africana, República Democrática do Congo (ex-Zaire), Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Seicheles, Somália, Suazilândia, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia, Zimbábue.


segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Chica da Silva

Francisca da Silva de Oliveira, ou simplesmente Chica da Silva, foi uma escrava, posteriormente alforriada, que viveu no arraial do Tijuco, atual Diamantina, Minas Gerais, durante a segunda metade do século XVIII. Manteve durante mais de quinze anos uma união consensual estável com o rico contratador dos diamantes João Fernandes de Oliveira tendo com ele treze filhos. O fato de uma escrava alforriada ter atingido posição destaque na sociedade local durante o apogeu da exploração de diamantes deu origem a diversos mitos.


De acordo com a imaginação popular e várias obras de ficção, Chica da Silva foi uma escrava que se fez rainha utilizando sua beleza e apetite sexual invulgares para seduzir pessoas poderosas, entre as quais João Fernandes, cuja fortuna dizia-se ser maior do que a do rei de Portugal.


 


Biografia

Era filha da escrava Francisca da Silva e de um português chamado Antônio Caetano de Sá. A sua certidão de batismo foi registrada no arraial de Milho Verde, na cidade de Serro Frio, atual município do Serro, Minas Gerais. Segundo a maior parte dos autores, sua mãe era africana da Costa da Mina, embora outros digam que ela era crioula da Bahia.


Foi escrava do sargento-mor Manuel Pires Sardinha, médico e proprietário de lavras no arraial do Tijuco. Nesta época teve pelo menos um filho, Simão Pires Sardinha, nascido em 1751, que teve como padrinho de batismo o então Capitão dos Dragões do Distrito Diamantino, Simão da Cunha Pereira, em homenagem ao qual recebeu o nome. O registro de batismo deste filho não declara a sua paternidade, mas Manuel Pires Sardinha deu-lhe alforria e nomeou-o como um de seus herdeiros no seu testamento, daí o uso do mesmo sobrenome.

Em seguida, Chica da Silva foi vendida ou dada como escrava a José da Silva e Oliveira Rolim, o padre Rolim. Este personagem foi, posteriormente, condenado a prisão pela importante participação que teve na Inconfidência Mineira. Também veio a viver com Quitéria Rita, uma das filhas de Chica da Silva e João Fernandes.

Pouco tempo depois, em 1753, João Fernandes de Oliveira chegou ao arraial do Tijuco para assumir a função de contratador dos diamantes, que vinha sendo exercida por seu pai homônimo desde 1740. Em 1754, Chica da Silva foi adquirida, ou alforriada, pelo novo contratador de diamantes João Fernandes com o qual passou a viver sem que nunca tenham se casado oficialmente.
O casal Chica da Silva e João Fernandes teve treze filhos durante os quinze anos em que conviveu.

Os amantes separaram-se em 1770, quando João Fernandes necessitou retornar a Portugal para prestar contas de sua administração à frente do Contrato dos Diamantes e para cuidar de receber os bens deixados em testamento pelo pai. Ao partir, João Fernandes levou consigo os seus quatro filhos homens.

Chica da Silva ficou no arraial do Tijuco com as filhas e a posse das propriedades deixadas por João Fernandes, o que lhe garantiu uma vida confortável. Suas filhas receberam a melhor educação que se dava às moças da aristocracia local naquela época.

Apesar de ser uma concubina, Chica da Silva alcançou prestígio na sociedade local e usufruiu das regalias privativas das senhoras brancas.

Faleceu em 1796. Como era costume na época, Chica da Silva tinha o direito de ser sepultada dentro da igreja de qualquer uma das quatro irmandades a que pertencia. Foi sepultada dentro da igreja de São Francisco de Assis pertencente a mais importante irmandade local, um privilégio quase que exclusivo dos brancos ricos, o que demonstra que mantinha a condição social mais alta mesmo vários anos após a partida de João Fernandes para Portugal.

domingo, fevereiro 20, 2011

Reflexão II

A igualdade só poderá ser soberana nivelando as liberdades, desiguais por natureza.
Charles Maurras

A civilização é a razão da igualdade.
Camilo Castelo Branco

O Sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.

A educação é a maior ferramenta para á igualdade social entre os homens.

O pensamento; a sua arma.
A liberdade; a sua causa.
Sua felicidade... A igualdade entre as raças.
(Trecho da letra "Incorrigível, Exagerado", que fiz em homenagem a mim mesmo e à Cazuza)
Somos apenas uma igualdade de várias diversidades.

Só haverá igualdade quando os homens não se classificarem mais pela sua cor...

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Reflexão

“O saber é uma luz que existe no homem.
É a herança de tudo aquilo que nossos ancestrais puderam conhecer
E que se encontra latente em tudo
Que nos transmitiram,
Assim como o baobá
Já existe em potencial em sua mente.”

 Amadou Hampâte Ba
Escritor africano do Mali



     Nunca foi fácil lidar com as diferenças neste mundo tão desigual.
A diversidade está em toda parte
basta que comparemos grupos humanos.
Numa sala de aula, de alunos ditos “normais”,
podemos perceber diferenças pois que cada ser é único.
O nosso Paulo Freire nos ensina que a visão do educador
deve, necessariamente, respeitar o educando, ou seja,
“Ensinar exige reconhecimento e assunção da identidade cultural”.
 A valorização do outro com suas peculiaridades é muito importante
a fim de que possamos entender e avaliar a importância
 do afro-descendente na nossa cultura e a negligência
da mídia quanto sua atuação como membro importante
na vida social brasileira.
Todos sabem que a história oficial negou aos negros
 a sua importância no desenvolvimento da nossa cultura,
relegando-o a um papel secundário,
tornando difícil a sua inclusão social.”



" A cor do céu, o verde-azul do mar, os coqueiros, as mangueiras, os cajueiros, o perfume de suas flores, o cheiro da terra; as bananas, entre elas a minha bem amada banana-maçã; o peixe ao leite de coco;os gafanhotos pulando na grama rasteira;o gingar do corpo das gentes andando nas ruas, seu sorriso disponível à vida; os tambores soando no fundo das noites;
os corpos bailando, ao fazê-lo, 'desenhando o mundo', a presença, entre
as massas populares, de expressão de sua cultura que os colonizadores não conseguiram matar, por mais que se esforçassem para fazê-lo, tudo isso me tomou todo e me fez perceber que eu era mais um africano que pensava."

(FREIRE, Paulo. Cartas à Guiné- Bissau. 2. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978, p.13-4)


Blog de diversidade colorida

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

África – os limites da imaginação

Aprender história é um exercício por vezes difícil, onde contracenam o real e o imaginário.

Precisa-se da imaginação que transcenda os fatos e reproduza a complexidade das atividades humanas como um filme explicativo, questionador, repleto de conceitos, propósitos e dúvidas. Sobretudo porque a dúvida é o elemento principal na composição do filme da história. A dúvida e não a descrença. Mas trabalhos de ensino de História Africana aparecem inicialmente como uma sistemática descrença nas possibilidades civilizatórias. Acompanhando a descrença um bloqueio à imaginação.

O principal problema encontrado no processo de ensino e aprendizado da História Africana não é relativo à história e à sua complexidade, mas é com relação aos preconceitos adquiridos num processo de informação desinformada sobre a África. Estas informações de caráter racistas, produtoras de um imaginário pobre e preconceituoso, brutalmente erradas, extremamente alienantes e fortemente restritivas. Seu efeito é tão forte que as pessoas quando colocadas em frente a uma nova informação sobre a África tem dificuldade em articular novos raciocínios sobre a história deste continente, sobretudo de imaginar diferente do raciocínio habitual.

A imagem do Africano na nossa sociedade é a do selvagem acorrentado à miséria. Imagem construída pela insistência e persistência das representações africanas como a terra dos macacos, dos leões, dos homens nus e dos escravos.

Quanto aos povos asiáticos e europeus as platéias imaginam, castelos, guerreiros e contextos históricos diversos. Quanto à História Africana só imaginam selva, selva, selva, deserto, deserto e tribos selvagens perdidas nas selvas.

Há um bloqueio sistemático em pensar diferente das caricaturas presentes no imaginário social brasileiro.

As informações novas geram uma constante desconfiança, tendo ocorrido mais de uma vez a pergunta, se eram sobre a África aquelas informações. Quando se desenvolvem tópicos sobre a indústria têxtil africana e as exportações de tecido para a Europa no passado, ou mesmo a informação de que a África precedeu a Europa no uso de roupas, há uma inquietação, um conflito emocional onde a dúvida é persistente.

O elemento básico para Introdução à História Africana não está na história africana e sim na desconstrução e eliminação de alguns elementos básicos das ideologias racistas brasileiras.

O cotidiano brasileiro é povoado de símbolos de negros selvagens e escravos amarrados, que processam e administram o escravismo mental e realizam a tarefa de feitores invisíveis a chicotear a menor rebeldia o imaginar diferente.

Acredito serem cinco os pontos importantes a serem desconstruídos na imaginação dos brasileiros sobre a África.
 
    1.A África não é uma selva tropical.
    2.A África não é mais distante que os outros continentes.
    3.As populações Africanas não são isoladas e perdidas na selva.
    4.O europeu não chegou um dia na África trazendo civilização.
    5.A África tem história e também tinha escrita.

Existem outros tópicos, apenas estou citando os cincos mais persistentes, os outros vão no sentido de "burrice do africano". O africano é tido sempre como o diferente com relação aos povos de outros continentes. Os iguais são os europeus e os asiáticos. Diferente no sentido não da diversidade humana, mas de uma hierarquia de valores, onde, uns são certos e os outros errados. Os iguais são certos e os diferentes errados, estes são os conteúdos das idéias que estão no subconsciente que instrui os raciocínios. Nos cursos seguidamente aparecem frase tais como: "o que destrói a África é que eles brigam muito entre si". "Eles não são unidos como os europeus". Ou então surge a pergunta "de onde vem o negro", com ênfase numa possível origem biológica diferente do branco quanto às possibilidades intelectuais.

Artigo do Profº Henrique Cunha Jr.

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Cronologia - História Africana

A CRONOLOGIA DA HISTÓRIA AFRICANA PODE TER A SEGUINTE COMPOSIÇÃO:

1 - Aparecimento do Homo Sapiens na África - 10.000 AC
2 - Agricultura e criação no Vale do Nilo - 5.000 AC
3 - Os Faraós unificam o Estado Egípcio - 3.100 AC
4 - O Estado Kerma governa a Antiga Núbia no Sudão 2.250 AC
5 - As dinastias Egípcias colonizam o Núbia - 1.570 AC
6 - Os Estados Kushes e Napatos se estabelecem no Sudão - 1.100 a 500 AC
7 - Fenícios fundaram a Capital em Cartago - 814 AC
8 - Os Estados Kushes da Núbia governam o Egito - 760 AC
9 - A tecnologia do Ferro é introduzido no Egito pelos invasores Assírios - 500 AC
10 - Reinos Núbios - 400 AC
11 - Civilização Nok na África Ocidental - 450 AC
12 - Os Gregos invadem o Egito - 332 AC
13 - Os Romanos invadem o Egito 40 - AC
14 - Início do esplendor dos Reinos Axum na África Oriental - 0
15 - Expansão Islâmica no Norte Africano - 639
16 - Data aproximada da construção do Zimbabue - 700
17 - Ocupação de Gana pelos Almoravides - 1.076
18 - Fundação do Império Monomotapa na África Austral. - 1.200
19 - Início do Império do Mali - 1.235
20 - Fundação do Reino do Congo - 1.240
21 - Início do Império Songai - 1.400
22 - Os Portugueses vencem os Mouros e tomam Ceuta no Norte Africano - 1.415
23 - Fundação do Reino Luba na região do Rio Congo - 1.420
24 - A presença constante de mercantes portugueses no Rio Senegal - 1.445
25 - Estabelecimento do tratado comercial entre Reinos da África Ocidental e os Portugueses - 1.456
26 - Tratado de Alcáçovas entre Espanhóis e Portugueses que permitem aos Portugueses a introdução de escravizados Africanos na Espanha - 1.475.
27 - Chegada dos Portugueses ao Congo - 1.484
28 - Conversão do Rei do Congo ao Catolicismo - 1.491
(o Catolicismo já havia penetrado na Etiópia 400 anos antes)
29 - Destruição do Império Songai - 1.591
30 - Portugueses invadem Angola transformando o Reino em Colônia - 1.575.
31 - O Reino do Congo é dominado pelos Portugueses - 1.630
32 - Chegada dos Ingleses como invasores e colonizadores na África do Sul - 1.795.
33 - Início das Campanhas Militares de Chaka-Zulu - 1.808
34 - Consolidação do Domínio Europeu na África - 1.884-1.885.

Henrique Cunha Júnior - professor da Universidade Federal do Ceará

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Ser negro...

Ser negro...
Não se resume à questão de pele.
Não se resume à questão dos cabelos crespos.
Ser negro é...
Sentir-se negro num país miscigenado.
Assumir as suas raízes.
Ser negro é ter...
Coragem.
Atitude.
Ser negro é...
Lutar para ser igual nas diferenças.
Acreditar que não é inferior a ninguém.
Ser negro...
Ter princípios.
Valorizar a beleza.
Ser capaz.
Fazer acontecer neste país onde pessoas
ainda são influenciadas por ideias pré-concebidas.
Enfim...
Ser negro é "ser humano"!


de Robélia Aragão
Nova Soure - BA

sábado, fevereiro 12, 2011

Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.
Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.
Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre.  Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.
Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente).
Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. 
Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.
Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. 
No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva. Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.
Em 1881 publica um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.
Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, identificou-se com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908.
É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.
Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.





Projeto Releitura - Arnaldo Nogueira Jr

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Bem vindos a África!

A nossa história, a minha, a sua, a de qualquer pessoa nesse planeta começa de uma forma ou de outra pela África.
Foi lá que a humanidade teve suas origens, com os primeiros hominídeos no Chad: o australopitecus africanus no Quênia. Depois, ela seria constituída ainda pelos “homus” afarensis, habilis e ergaster, até chegarmos ao nosso “tataravô”: o homo sapiens, na Etiópia.
Isso mesmo! Você é, lá atrás, bem lá atrás, descendente de etíopes…
Foi então que vieram as primeiras populações, como os Khoisan, os Bantos e os Gizas, no Egito. Entre eles surgiram os primeiros indícios de manejo de metal, a matemática e a música (flauta e xilofone), originando assim as primeiras civilizações.
Foi entre esses povos, inclusive, que a humanidade começou a prevalecer e a evoluir sobre as condições ambientais. Algumas teorias sustentam que os povos que habitavam a região do Sahel foram se adaptando ao intenso sol e ao calor, tornando sua pela mais escura e ligeiramente grossa. Foi essa divisão que possivelmente distinguiu a população negra daqueles que posteriormente vieram a ocupar o oriente-médio; e, por conseqüência, os demais continentes.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Temporalidade

A História da África é bastante rica e cheia de pontos que nos levam a entender melhor a nossa cultura brasileira. Mas muitos tratam de forma preconceituosa a História africana, dizendo que são povos atrasados, fracos e preguiçosos. Na África tinha civilizações que eram tão grandiosas quanto qualquer civilização européia, com seus castelos, reis, cidades. Os guerreiros africanos assustavam os europeus e não permitiram a conquista da áfrica, pelo contrário, os europeus é que seguiam as ordens nos comércios africanos.

Na busca de especiarias, metais preciosos e demais riquezas, os europeus iniciam um lucrativo e duradouro comércio que mudaria a História africana: o comércio de escravos.
Os europeus não adentravam no continente caçando escravos, os africanos já possuíam este comércio e apenas o estendeu aos europeus. Para se comprar escravos era necessário procurar uma fortaleza portuária e trocar por armas ou qualquer produto de necessidade dos povos.

As guerras que os reinos travavam pelo comércio de escravos levaram o continente a se enfraquecer cada vez mais até no século XIX.

A  África tornou-se alvo da cobiça imperialista européia, lá se buscava mão de obra barata e matéria prima também a baixo preço para as empresas Monopolistas que cresciam assustadoramente pelo mundo.

Fonte: A cultura negra em sala de aula - http://www.sicribd.com/

domingo, fevereiro 06, 2011

Rubens Alves escreveu:

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo.
Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.
Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
Pássaros engaiolados sempre têm um dono.
Deixaram de ser pássaros.
Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
O que elas amam são pássaros em vôo.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar.
Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros.
O vôo não pode ser ensinado.
Só pode ser encorajado.
http://marimath.blogspot.com/

Principais orixás

Na mitologia iorubá, Olodumare também chamado de Olorun é o Deus supremo do povo Yoruba, que criou as divindades, chamadas de orixás no Brasil e irunmole na Nigéria, para representar todos os seus domínios aqui na terra, mas não são considerados deuses, são considerados ancestrais divinizados após à morte.
Orixás
  • Exu, orixá guardião dos templos, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ogum, orixá do ferro, guerra, e tecnologia.
  • Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
  • Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca
  • Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Ayrà, usa cores brancas, tem profundas ligações com Oxalá.
  • Xapanã (Obaluaiyê/Omolu), Orixá das doenças epidérmicas e pragas.
  • Oxumarê, orixá da chuva e do arco-íris.
  • Ossaim, orixá das ervas medicinais e seus segredos curativos.
  • Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestade, e do Rio Niger
  • Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro e amor.
  • Iemanjá ou Yemanjá, orixá feminino dos lagos, mares e fertilidade, mãe de todos os Orixás de origem yorubana.
  • Nanã, orixá feminino das águas das chuvas, dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Ewá, orixás de origem daomeana.
  • Yewá, orixá feminino do rio Yewa, senhora da vidência, a virgem caçadora.
  • Obá, orixá feminino do rio Oba, uma das esposas de Xangô juntamente com Oxum e Iansã.
  • Axabó, orixá feminino da família de Xangô
  • Ibeji, orixás gêmeos
  • Iroko, orixá da árvore sagrada (conhecida como gameleira branca no Brasil).
  • Egungun, ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna.
  • Onilé, orixá relacionado ao culto da terra.
  • OrixaNlá (Oxalá) ou Obatalá, o mais respeitado Orixá, Pai de todos os Orixás e dos seres humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, orixá da Adivinhação e do destino.
  • Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
  • Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
  • Olokun, orixá divindade do mar.
  • Olossá, orixá dos lagos e lagoas
  • Oxalufon, orixá velho e sábio.
  • Oxaguian, orixá jovem e guerreiro.
  • Orixá Oko, orixá da agricultura.



sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Mito da criação

Na mitologia iorubá o deus supremo é Olorun, chamado também de Olodumare. Não aceita oferendas, pois tudo o que existe e pode ser ofertado já lhe pertence, na qualidade de criador de tudo o que existe, em todos os nove espaços do Orun.
Olorum criou o mundo, todas as águas e terras e todos os filhos das águas e do seio das terras. Criou plantas e animais de todas as cores e tamanhos. Até que ordenou que Oxalá criasse o homem.
Oxalá criou o homem a partir do ferro e depois da madeira, mas ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra - era muito frio. Tentou a água, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio fogo. Fez um ser de ar que depois de pronto retornou ao que era, apenas ar. Tentou, ainda, o azeite e o vinho sem êxito.
Triste pelas suas tentativas infecundas, Oxalá sentou-se à beira do rio, de onde Nanã emergiu indagando-o sobre a sua preocupação. Oxalá fala sobre o seu insucesso. Nanã mergulha e retorna da profundeza do rio e lhe entrega lama. Mergulha novamente e lhe traz mais lama. Oxalá, então, cria o homem e percebe que ele é flexível, capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e, então, sopra-lhe a vida.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A boneca étnica negra e parda

O papel da boneca étnica, negra e parda, é de grande importância para a valorização da auto-estima e do reconhecimento da identidade afro-brasileira das crianças, tanto na família e na sociedade quanto na escola. A criança negra ou parda deve ter "a sua boneca" como seu espelho, onde se reflete sua anatomia e suas características étnicas. Ela também deve ter bonecas de etnias diferentes da sua para aprender a amar e a conviver com as diferenças. Através da identificação étnica com a boneca, a criança pode fortalecer sua identidade, aprender a valorizar a si e aos seus semelhantes e reconhecer, para toda a vida, suas raízes, livre de preconceitos ou estereótipos. Para os educadores, a boneca étnica também é um importante instrumento de vivência em sala de aula. As várias etnias reunidas no brincar pedagógico em sala de aula têm o poder de promover a interação social, a tolerância e o respeito pelas diferenças. Crianças que, no brincar livre, têm a oportunidade de aprender a conviver com a diversidade social tornam-se adultos mais preparados para a vida em sociedade.


Conversa

- Eita negro!
quem foi que disse
que a gente não é gente?
quem foi esse demente,
se tem olhos não vê...

- Que foi que fizeste mano
pra tanto falar assim?
- Plantei os canaviais do nordeste

- E tu, mano, o que fizeste?
Eu plantei algodão
nos campos do sul
pros homens de sangue azul
que pagavam o meu trabalho
com surra de cipó-pau.

- Basta, mano,
pra eu não chorar,
E tu, Ana,
Conta-me tua vida,
Na senzala, no terreiro

- Eu...
cantei embolada,
pra sinhá dormir,
fiz tranças nela,
pra sinhá sair,
tomando cachaça,
servi de amor,
dancei no terreiro,
pra sinhozinho,
apanhei surras grandes,
sem mal eu fazer.

Eita! quanta coisa
tu tens pra contar...
não conta mais nada,
pra eu não chorar -

E tu, Manoel,
que andaste a fazer
- Eu sempre fui malandro
Ó tia Maria,
gostava de terreiro,
como ninguém,
subi para o morro,
fiz sambas bonitos,
conquistei as mulatas
bonitas de lá...

Eita negro!
- Quem foi que disse
que a gente não é gente?Quem foi esse demente,
se tem olhos não vê.

SOLANO TRINDADE

terça-feira, fevereiro 01, 2011

André Rebouças

André Rebouças, baiano de Cachoeira, nascido em 1838, formou-se em engenharia, ciências físicas e matemática, na escola Militar do Rio de Janeiro, onde posteriormente, foi professor. Sua carreira foi marcada por grandes conquistas tecnológicas como a construção pioneira de docas no Rio de Janeiro, na Bahia, em Pernambuco e no Maranhão; implantou junto com seu irmão, o também engenheiro Antônio Rebouças, o sistema de abastecimento de água do Rio de Janeiro- Realizações que o posicionaram como uma das maiores autoridades brasileiras em engenharia hidráulica. O túnel Rebouças que liga a zona Norte à zona Sul do Rio de Janeiro é uma homenagem ao seu trabalho e ao de seu irmão pelo desenvolvimento da engenharia no Brasil.
Além da contribuição no campo científico-tecnológico, André Rebouças foi um dos principais militantes do movimento abolicionista e responsável por diversos artigos contra a escravidão. Foi também um estudioso da questão agrária e a sua conexão com o processo de inclusão social dos ex-escravos, chegando a escrever um projeto de legislação que previa o assentamento de ex-escravos em terras do Império e iniciativas educacionais para a inserção desses na sociedade. André Rebouças morreu tragicamente em 1898, na Ilha da Madeira, quando estava no exílio, após a queda do Imperador D. Pedro II, que era seu amigo.


                                                         André Rebouças