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sexta-feira, setembro 23, 2011

Campanha- Por uma infância sem racismo!


Por uma infância sem racismo

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apresentou ao público presente no evento a campanha nacional sobre o impacto do racismo na infância, lançada em 2010. A iniciativa tem o slogan “Por uma infância sem racismo”. Para o UNICEF, a discriminação racial não apenas persiste no cotidiano das crianças no Brasil, como também se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

A campanha tem como objetivo mobilizar a sociedade brasileira para a necessidade de assegurar a equidade e a igualdade étnico-racial desde a infância. Para o Unicef, o combate ao racismo implica valorizar as diferenças, promovendo a igualdade de tratamento e oportunidades para cada menina e menino no Brasil, o que ainda representa um grande desafio para o País.

Assim, busca-se contribuir com o debate nacional sobre direitos da infância e adolescência, envolvendo cada segmento da sociedade no esforço do combate ao racismo a partir do reconhecimento de sua existência.



10 maneiras de participar da campanha



1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.

2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer.

3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.

4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente.

Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.

5. Não deixe de denunciar.  Em todos os casos de discriminação, você deve buscar defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.

6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.

7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnico-racial.

8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e de pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde você trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.

9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.

10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

sexta-feira, setembro 02, 2011

África mais perto

Historia da cultura afro nas escolas representa reflexão sobre questão racial.

Sheila Mazzolenis

"Oxalá, deus da criação, encarregado pela divindade suprema Olorum de fabricar a terra e o mar deste Brasil preto, criou nestas terras uma árvore cujas raízes atravessavam o oceano e chegavam até a África."

Assim, a autora e ilustradora de livros infanto-juvenis Denise Rochael inicia Brasil em Preto e Branco (Cortez Editora, 2005), revestindo de poesia o começo da difícil relação entre os habitantes do Brasil colônia e os escravos capturados no continente africano. Marcada historicamente pela escravidão e pela exclusão social, essa relação resultou em uma população atual de 184 milhões de pessoas - 45% dos quais são negros - e atinge hoje, 117 anos após a abolição da escravatura, condições menos desiguais. E isto se deve a três fatores: a luta da comunidade afro-brasileira para resgatar o orgulho e a dignidade raciais; a compreensão e o apoio dado por alguns setores da sociedade a essa luta; e a militância informal, discreta, de muitos cidadãos brasileiros - este é o caso da mineira Denise Rochael, branca, que afirma: "a condição do negro se mistura com a do miserável e eu me sinto tocada por isso e pelo fato de que poucos reconhecem que somos todos negros no Brasil. Sofro muito com isso e foi a partir desse sofrimento, e da paixão que sinto pela cultura negra, que escrevi Brasil em Preto e Branco."

No plano social e educacional, uma das medidas mais promissoras e significativas dessa conjunção de forças é a Resolução 10.639/03, que altera a Lei de Diretrizes e Base (9.394/96) e determina a introdução da história da cultura afro-brasileira e africana no currículo do ensino fundamental e médio, público e privado, especialmente nas áreas de Educação Artística, Literatura e História - o que significa, também, incluir a questão racial como objeto de reflexão.

Reivindicação antiga dos movimentos nacionais de consciência negra na busca por reconhecimento, valorização e afirmação de direitos, a Resolução 10.639 representa uma oportunidade única de resgatar a contribuição do povo negro na formação e consolidação da sociedade nacional, mas coloca um grande desafio para os educadores brasileiros: superar rapidamente o desconhecimento e a pouca familiaridade com essa temática, bem como, em alguns casos, o preconceito mal disfarçado que continua a existir em amplas camadas da sociedade.

A esse respeito, o Parecer CNE/CP 003/2004 - sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o ensino da História da Cultura Afro-brasileira e Africana - aponta a necessidade de uma mudança "nos discursos, raciocínios, lógicas, gestos, posturas, modo de tratar as pessoas negras [...] buscando-se especificamente desconstruir o mito da democracia racial na sociedade brasileira; mito este que difunde a crença de que, se os negros não atingem os mesmos patamares que os não negros é por falta de competência ou de interesse, desconsiderando as desigualdades seculares que a estrutura social hierárquica cria com prejuízos para os negros". O mesmo Parecer ressalta, ainda, a importância de se questionar "as relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam os negros e salientam estereótipos depreciativos, palavras e atitudes que, velada ou explicitamente violentas, expressam sentimentos de superioridade em relação aos negros, próprios de uma sociedade hierárquica e desigual."