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quinta-feira, março 15, 2012

Poesia -Negra

NEGRA!

Negra! negra! como a noite
d'uma horrível tempestade,
mas,linda, mimosa e bella,
como a mais gentil beldade!
Negra! negra! como a asa 
do corvo mais negro e escuro,
mas, tendo nos claros olhos,
o olhar mais límpido e puro!

Negra! negra! como ébano,
seductora como Phedra,
possuindo as celsas formas,
em que a boa graça medra!
Negra! negra!... mas tão linda
co'os seus dentes de marfim;
que quando os lábios entreabre,
não sei o que sinto em mim!...

Só! negra, como te vejo,
eu sinto nos seios d'alma
arder-me forte desejo,
desejo que nada acalma.
Se te roubou este clima
do homem a cor primavera;
branca que o mundo viesses,
serias das filhas d'Eva
em belleza, ó negra, a prima!...
gerou-te em agro torrão;
S'elevar-te ao sexo frágil
temeu o rei da criação;
é qu és, ó negra creatura,
a deusa da formosura!...

Joaquim Cordeiro da Mata
Poesia africana de Língua Portuguesa - Angola

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